Aos amigos de Campina II

Confesso que não esperava tamanha repercussão do primeiro artigo que denominei “Aos amigos de Campina”. Nele falei do orgulho que tenho em ser neto de um grande homem, cearense de nascimento e paraibano por adoção, que contribuiu com seus talentos para ver sua terra cada vez mais desenvolvida e menos injustiçada. Também citei em meu artigo publicado neste blog um pouco da minha natureza política e da atração que o debate de idéias exerce sobre mim. Tudo isso atingiu minha vida com um redemoinho de especulações político-partidárias.

Foram vários os convites de lideranças municipais e até estaduais para que me filiasse aos seus respectivos partidos, visando sempre à disputa eleitoral que se aproxima.

É preciso deixar claro que quando afirmei “está pronto para contribuir com a nossa cidade”, não me limitava apenas à esfera política, que sem dúvidas tem uma expressão e importância singular, porém incluía também a colaboração que posso dar enquanto cidadão que trabalha, estuda e quer o bem de sua região.

Sinto-me preparado para almejar um futuro melhor em sociedade, mas não necessariamente isso tem ligação com a classe política. É preciso deixar bem claro, que se vier a participar da vida pública não será com um passo precipitado que irei iniciar a caminhada. O mundo está sempre nos ensinando e é preciso ter cautela para não colocar a carroça na frente dos bois.

Sempre fiel ao que acredito pretendo seguir a orientação do que me fala a consciência, inclusive pela voz dos que me querem bem.

20 anos sem Carlos Drummond de Andrade

Hoje não escrevo

Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.
E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...
Então hoje não tem crônica.


Carlos Drummond de Andrade

Agradecimento


O número de acessos ao AsforaBlog tem crescido muito nos últimos meses. Milhares de leitores dentro de um único bimestre! A responsabilidade é crescente.
Só tenho a agradecer pela atenção dispensada ao que escrevo e ao carinho com que as pessoas comentam comigo cada palavra aqui publicada.

Era uma casa... dos estudantes!

Estive esta semana visitando a antiga Casa do Estudante Félix Araújo, e lamentei profundamente o estado em que, outrora salvadora casa, se encontrava clamando por salvação.

Por falta de uma boa administração, como de maior interesse por parte dos últimos dirigentes do Centro Estudantal Campinense, todo aquele patrimônio obtido graças aos esforços de lideranças estudantis que fizeram história em nossa cidade, agora passará as mãos de outra instituição.
Assim sendo, se somará a mais uma derrota do alunado, que por falta de uma entidade legitimada e comprometida com a causa estudantil, saboreia mais um amargo gosto de perda.

É verdade que a Casa do Estudante perdeu um pouco sua finalidade maior – abrigar os estudantes de cidades vizinhas que não possuíam residência fixa em Campina – pois toda cidade em nosso Estado hoje em dia possui o ensino médio completo. Assim sendo, não obriga o aluno a sair de sua região como antigamente.

Porém, é indispensável lembrar que as necessidades dos estudantes não se limitam ao abrigo, e que um patrimônio de tamanha envergadura não poderia escorregar das mãos de uma classe que tanto se empenhou em assegurá-la.

Aos atuais dirigentes do CEC, diante de sua incapacidade de mobilização, aqui vai uma dica em forma de letra musical, por sinal bem conhecida: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!”.

Talvez não

O poeta é um ser especial, sempre sensível ao fato no qual põe o olho. Enxerga de uma maneira singular as circunstâncias, dando-lhe uma intensidade emocional mais apurada e mística.

É assim, inconformado com as convenções, que o poeta enxerga o mundo. Não o acompanha a frieza dos céticos, mas incorpora a essência das coisas. É um ser livre pelo modo de encarar a vida e ao mesmo tempo preso pela sintonia que o mantém em freqüência com tudo.

Sente a alma do que existe: quando alegre, torna-se alegria; quando triste, é a tristeza! Personifica-se ao sentimento mostrando desprendimento com o que considera trivial.

Como diria tio Ricardo, “o poeta, da mesma forma que pode chegar ao paraíso descrevendo uma simples flor, pode alcançar o purgatório relatando uma situação que para muitos seria indiferente”. Por sinal, tio, nunca vi descrição tão poética!

Assim sendo, continuo aqui,
Meio poeta; e talvez não.
Sem saber como mentir:
Tudo pra mim é ilusão!

Amizade

Da amizade que surgiu
E pela verdade pura,
Criaram-se amarguras.
Aguerrida; subsistiu!

Superando batalhas
Na peleja da vida,
Cicatrizou-se feridas,
Mesmo como navalhas.

E assim, sempre unidos,
Mostramos destemidos,
Uma força sem precedentes.

Prezando pela união:
Agindo como irmãos;
Caminhamos sorridentes!



Aos amigos que me acompanham durante a caminhada da vida, de forma inestimável.

Aos amigos de Campina!


Desde pequeno, como todo paraibano e campinense, respiro política. No colégio, nas praças, na universidade, no trabalho, aonde quer que cheguemos essa discussão faz parte das conversas rotineiras. É nossa tradição! Soma-se a isso minha origem de raízes políticas, e pronto, esse tipo de assunto exerce uma influência magnética sobre mim. É inerente ao meu ser defender idéias, contestá-las e sempre procurar aprimorá-las.

Talvez por carregar (com orgulho) o nome do meu avô paterno, que tem história e trabalho prestado, tenho recebido inúmeros convites de agremiações partidárias para concorrer numa possível eleição proporcional no próximo ano. Essas procuras me envaidecem e reforçam a crença que já possuo na vitoriosa passagem por essa terra do nosso inesquecível Raymundo Asfora. Esses convites só revelam a ânsia de alguns em resgatar a política feita com dignidade, compromisso e respeito à vontade do povo; marca maior de uns tempos remotos.

Muitos perguntam se tenho pretensão em disputar cargos eletivos, no que sempre respondo: “na hora certa, me sentindo preparado, não vejo porque negaria!”. Seria motivo de orgulho representar uma cidade comprometida com seu futuro, altaneira desde sua origem e politizada de berço.

Quem representava os bons costumes políticos, a lealdade ao povo e a audácia em falar mais alto no Congresso Nacional por nossa Paraíba, sabiamente profetizou: “a morte está enganada, eu vou viver depois dela!”. Por isso sempre terei como meta honrar os passos de quem nunca mudou de direção e que até os seus últimos dias “só libertava dos lábios, as palavras prisioneiras no coração”.

Campina, seu futuro é uma vaidade de cada filho teu, e Grande é a vontade de te ver ainda maior. Estou pronto para contribuir no que puder com esse crescimento!

Admitir o erro é o começo da solução

A dignidade parece ser muitas vezes objeto de auto-afirmação entre a maioria das pessoas. É difícil encontrar alguém que se veja desonesto, injusto ou incapaz. Quando um indivíduo tenta proclamar alguma atitude indigna, sempre vem acompanhado no discurso um viés de justiça com as próprias mãos. Temos dificuldade em admitir nossos erros!

A dificuldade encontrada para a maioria dos problemas no nosso dia-a-dia se origina dessa falsa opinião que tendemos a ter de nós mesmos. Quando não reconhecemos um problema nos furtamos a buscar uma solução, solidificando assim o erro e o atraso que obtemos graças à falta de autoconhecimento e excesso de egoísmo.

O assaltante de banco se diz vitima das mesmas circunstâncias que levam um homem pobre a roubar uma galinha. Existe semelhança no caso que justifique tal afirmativa? Uns diriam que não outros que sim, dependem muito de cada caso. Até em ocasião de um latrocínio o autor dos disparos diz ter matado em legitima defesa. Observamos que todos querem ser vitimas das circunstâncias, ninguém admite cometer coisas indignas!

Por vezes admitimos uma áurea sobrenatural a um amigo que passa num concurso para justificar a nossa falta de empenho que nos rendeu apenas o ônus da inscrição. É preciso reconhecer nossos erros e enfrentá-los na peregrinação em busca de uma solução.

Não admitir a existência de nossas falhas é o mesmo que negar nossos acertos, só que negando nossos acertos caminhamos para o melhor caminho sem saber, e ignorando nossos erros chegaremos em pouco tempo a beira de um penhasco, na mais otimista das previsões.

SAUDADE (Augusto dos Anjos)

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

PARABÉNS!



Algumas coisas que sempre me lembram você...

Amor Liberdade Inteligência Naturalidade Esperança

Parabéns mãe!
Te amo
.

Não é como antigamente, ta pior...

Criticar algumas músicas por seu teor pouco instrutivo na letra tem sido uma constante no meio “intelectual” em nossos dias, de fato as apologias que são feitas em muitas delas em nada contribuem para uma sociedade melhor. A partir dessa constatação, o que observamos em relação às criticas que são feitas? Quais seus efeitos mais concretos? É difícil admitirmos, mas isso tem entrado numa orelha e saído na outra de muita gente sem que nada se altere.

Um dia desses, como dificilmente faço atualmente, prestei atenção as letras das músicas de um show de forró, e nisso observei que quando não se fazia “culto” a bebida, tudo era direcionado para a prostituição (cabaré, putaria, etc). Que fique bem claro que não tenho nada contra esse gênero musical, muito pelo contrário, quem me conhece sabe da admiração que tenho por músicas de cantores como Flávio José, Luiz Gonzaga, Santana, entre tantos outros. Mas o que é de se lamentar é ver como no nordeste as letras estão se tornando cada vez mais apelativas, fenômeno que já vem ocorrendo no Brasil nas suas mais diversas regiões.

Nossa cultura nordestina passou bons tempos exportando músicas de qualidade, com grande valorização de nossos costumes e tradição, e de uns tempos pra cá, com raras exceções, tem recorrido ao vulgar, entrando na contramão de sucessos anteriores que se ergueram sobre os pilares do bom senso e da extrema qualidade na composição.

Ao que parece nos dias atuais a falta de compromisso com o futuro de nossa gente tem reinado entre muitos compositores, que por ignorância transparecem não reconhecer a influência que a música exerce sobre as pessoas. Não venham levantar suas bandeiras os “defensores dessa modernidade” justificando que o povo moldou os artistas dessa forma, e que esse é único caminho para se trilhar o sucesso. Conversa fiada!Ou então jamais teríamos como explicar o entusiasmo da multidão ao se deparar com canções antigas e que ainda são os standartes maiores de nossa região. O que alguns precisam é se enxergar com os olhos da responsabilidade que possuem.

As autoridades políticas também bem que poderiam deixar de se acovardar nesse tema e reconhecer a importância cultural que a música possui, procurando criar mecanismos mais contundentes no combate ao que denominamos “lixo musical”, seja através de campanhas ou até de limitações de horários como ocorre com os filmes pornográficos exibidos na TV aberta, pois o que algumas dessas letras expõem não deixa de ser pouco recomendadas para quem está em processo de construção de sua personalidade e formação intelectual.

Finalizando, faço das palavras do velho Luiz Gonzaga as minhas... “Nem que eu fique aqui dez anos, eu não me acostumo não...”

Democracia: Chávez ou a RCTV?

Impressionante o debate, gerado pela Rede Globo, em torno do presidente venezuelano Hugo Chávez acerca da não renovação do contrato de licença para exibição da RCTV, principal meio de comunicação da oposição no país. O que a Globo não mostra aqui no Brasil é o outro lado da moeda, tentando, como “papagaio do império norte-americano” – usando a expressão do presidente bolivariano -, vincular a imagem de Chávez a de um ditador.

Acredito que a maioria de nosso planeta é a favor da liberdade de expressão, e justamente por isso tenta evitar que golpistas cheguem ao poder por meios antidemocráticos e através da censura. Foi exatamente isso que a RCTV apoiou na Venezuela, quando do golpe militar sofrido por Chávez no começo de seu governo. De forma despudorada e antidemocrática, buscou conferir legitimidade a um governo imposto sob o julgo das armas e da repressão, em total desrespeito a vontade popular.

Apesar de tal atitude, Chávez assim que retornou ao poder não retirou o direito da emissora de continuar indo ao ar, esperou que o contrato expirasse e agora não o renovou. Ainda assim, protegeu o povo venezuelano de uma emissora que mostrou não ter compromisso nenhum com o estado democrático.

Agora a TV golpista dá uma de vitima e se diz a favor da liberdade de expressão e do respeito a vontade popular, tentando salvar seu pescoço e manter viva a esperança de desestabilizar um governo referendado pela maioria dos venezuelanos. Logo ela que a bem pouco tempo entrou em rota de colisão com a voz do povo.

Sendo assim agora faço uma pergunta: quem é antidemocrático, Chávez ou a RCTV? A Globo e os Eua apostam em Chávez, e você?

Pac-Pac-Pac!

Artigo de Newton Leal para o Portal iParaíba.com.br que trata um pouco da imobilidade de nossa sociedade frente aos acontecimentos e rumos do nosso País. Não deixe de ler!

http://www.iparaiba.com.br/col.php?noticia=88214&categoria=20

A dimensão e os passos


Quando queremos chegar a um determinado lugar, primeiro é preciso conhecer o caminho (seja através de um mapa ou não), depois é necessário estar preparado para cada passo que se vai dar, pois não adianta muito imaginar o lugar onde pretendemos chegar ignorando o que se fará indispensável para tal objetivo.

São inúmeras às vezes na vida em que ficamos estagnados diante de um projeto por não darmos o passo inicial. O resto da caminhada é sem dúvida importante, mas nada é tão essencial quanto o primeiro passo. Afinal, jamais chegaremos ao segundo passo sem ter dado o primeiro antes, e dele depende todo o nosso percurso. O inicio da caminhada é a chave, pois se forçarmos demais nossas passadas acabaremos por ficar cansados antes de chegarmos ao nosso objetivo, e ai geralmente paramos. Por isso é indispensável o controle do ritmo que damos ao nosso primeiro passo, dele depende toda a caminhada. Se controlarmos bem todo o processo inicial, da metade para o fim poderemos dar uma arrancada rumo ao que se é almejado.

Observando bem até nas maratonas que vemos na TV é assim: os que começam mais entusiasmos e não medem as conseqüências dos seus passos logo em seguida começam a ser deixados para trás. Já os que desde o começo tem consciência do percurso que os aguarda, são mais moderados e garantem um bom ritmo sem comprometer seu objetivo principal que é a chegada.

O autoconhecimento se faz indispensável para enfrentar os desafios. Ter paciência e conhecer a dimensão de onde se pretende chegar é fundamental, só assim podemos medir os passos, sabendo explorá-los na hora em que mais for preciso. Todos nós possuímos limites e é preciso observá-los com cuidado para não ultrapassarmos o que nos é permitido, nem nos limitarmos quando poderíamos ir mais longe.

Sei que essas medidas já estão vulgarizadas pelo excesso de pregação, mas nunca é demais lembrar que só ficarão no reino das idéias enquanto não dermos o primeiro passo. Quando a chuva cai para todos; planta quem quer. Sementes não faltam...


A Lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você

Oswaldo Montenegro

Clube Literário

Já ouvi falar algumas vezes sobre a existência de grupos que se reúnem com o objetivo de discorrer sobre as leituras feitas por seus componentes, mas até pouco tempo nunca tinha me apercebido da importância e dos benefícios que tal organismo pode propiciar aos seus integrantes.

Há pouco mais de um mês convidei alguns amigos para que fizéssemos dessas reuniões uma constante em nossos encontros, apesar de alguns atropelos, acredito que começaremos em breve a aprender, entre outras coisas, a respeitar mais as opiniões, a enxergar pelos mais variados ângulos uma mesma situação e a conhecer mais profundamente nossa literatura.

Com um grupo bastante eclético (Estudantes de Geografia, Direito, Arquitetura, Ciência da Computação, Jornalismo, Física, Matemática, etc.) iremos buscar enxergar pelas mais diversas possibilidades o que vem a ser exposto pelos escritores em pauta, analisando os mais diversos temas, adicionando a leitura um criterioso e construtivo debate de idéias onde cada um irá contribuir para a consolidação de um conhecimento mais qualitativo.


Para a criação de um grupo assim apenas é preciso pessoas interessadas e comprometidas com o seu principal objetivo que é a extração de um melhor conhecimento. Um estatuto para o Clube pode ser uma boa saída para organizar mais os debates e a manutenção do mesmo.


Está ai uma idéia que deixo também para os leitores do AsforaBlog.

O absolutismo do rei

Numa democracia todos têm o direito de expressar livremente suas opiniões, respondendo sempre na justiça por aquelas que forem injuriosas. Porém nos últimos dias acompanhamos a decisão do cantor Roberto Carlos de vetar uma biografia sua sem ao menos ler o que nela havia. Isso mesmo, o “rei” parece não querer sua vida em detalhes e conseguiu na justiça brasileira cancelar a publicação de uma biografia feita por um de seus fãs, o escritor Paulo César Araújo.

Em alguns países, principalmente nos ditos desenvolvidos, esse tipo de atitude causaria uma repercussão muito negativa para o artista, pois o público não enxerga coisa mais natural que conhecer profundamente a vida de suas personalidades. No caso do Brasil, o “rei” se nega a mostrar o que há por trás da “coroa”. Pior ainda, não teve nem a consideração de ler um trabalho dificilmente obtido por seu fã.

O "rei" tem feito réus! Poucos sabem, mas faz menos de quinze dias que Roberto Carlos também vetou a reprodução de algumas letras de suas músicas num CD que não tinha fins lucrativos, aqui mesmo na nossa Paraíba. Desta vez o réu na ação foi o colunista Abelardo Jurema.

Todos nós queremos privacidade na vida e temos o direito de preservá-la quando de certa forma alguém tenta invadi-la. Porém, quando se trata de uma celebridade a coisa muda um pouco de figura. No caso, como se é uma pessoa pública se torna inevitável que seus caminhos sejam observados. E isso não é nenhum crime, desde que sejam respeitados os limites do senso comum.

A imagem que fica é a seguinte: o “rei” quer decidir absolutamente sozinho qual a imagem que ficará para ilustrar seu reinado, desconsiderando a curiosidade de seus fãs em conhecer mais um pouco a sua trajetória.

Clique aqui para visualizar uma charge feita pela talentosa equipe da Charges.com.br

Violência: o que falta e o que sobra

Nossa Paraíba tem virado nos últimos tempos um campo de batalha entre bandidos e policiais. Bandos invadem diariamente casas, lojas, bancos, etc. Os motivos para justificar o que vem ocorrendo são muitos, mas não são recentes. Alguns culpam a falta de equipamentos para a polícia, outros preferem criticar a escassez de pessoal em ação, mas o que de fato existe é uma violência crescente e que se apresenta das mais variadas e assustadoras formas.

Para lembrar o nosso Presidente Lula, “nunca na história desse país” se viu tanta violência. Todos os dias pessoas saem assombradas das suas casas temendo a ação de marginais. Hoje o bandido pode ou não está de gravata, pois aprendeu com a sociedade desde cedo a manipular as aparências e driblar o preconceito (cito isso apenas para exemplificar o que fazem as vítimas da segregação social, excluindo os que por falta de caráter e consciência optam pelo crime).

O que será que tem levado tantas pessoas à marginalidade? É simples, a falta de condições essenciais para se ter uma vida digna, ou seja; emprego, saúde, moradia, lazer, etc. Enquanto uma pequena burguesia cada vez mais freqüenta shopping centers, esbanjando futilidade, cheios de seguranças e “distantes da realidade social” da maioria da população, muitos só enxergam sua ascensão ao indispensável pela porta da violência, às vezes até para garantir sua incerta alimentação.

Cercas elétricas, mais policiais, maior repressão, só vão nos trazer maiores dores de cabeça. Não se pode ignorar o mundo a nossa volta, pois um dia ele desaba sobre nós. A responsabilidade por uma mudança significativa no quadro atual é nossa. O que é preciso é agir de uma forma mais enérgica na busca pela igualdade social. Não existe solução mágica para isso, porém a fórmula para o caos e a insegurança nós já adquirimos(concentração da renda), resta caminharmos no caminho oposto.

Onde faltam garantias de uma vida digna, sobrará meios para se atingir o fim de uma existência igualitária e mais humana.

Não as drogas

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de “experimenta, depois quando você quiser é só parar…” e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de “raiz”, da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira. Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais quente,comecei a chamar todo mundo de “amigo” e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve… Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores: o Tchan, Companhia do Pagode e muito mais. Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes. Então, meu amigo me deu o que eu queria: um CD do Harmonia do Samba! Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais… Comecei a frequentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro. Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea “As melhores do Molejo”. Foi terrível!! Eu já não pensava mais!!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas. Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido. Quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras… Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser do pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo. Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: Não ligue a TV no domingo à tarde; não escute nada que venha de Goiânia ou do interior de São Paulo; não entre em carros com adesivos “Fui…..”; se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Sábado do Gugu; mulheres gritando histericamente são outro indício; não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa; não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados; não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo; não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil, e não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
Mas principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!!
Luiz Fernando Veríssimo

Prudente coragem

A coragem é um termo extremamente vinculado com a valentia, a ousadia instantânea e a ignorância perante o medo. Porém devemos lembrar que ter a prudência de recuar em determinados casos também pode ser intitulada dessa forma.

Quantas vezes ouvimos em nossa infância de vários colegas nossos a seguinte frase: “tem coragem não é?”. Geralmente isso é dito quando somos incitados a colocar uma bomba num carteiro, jogar uma pedra na lataria de um carro, etc. Alguns talvez por insensatez “engolem a corda” e não enxergam a imprudência que se está cometendo, de fato são nessas horas em que a coragem de se negar a fazer tal coisa se faz necessária.

Durante toda a vida em inúmeros momentos nos encontramos com situações semelhantes a essas, só que com o decorrer do tempo não são apenas nossos coleginhas que nos estimulam para o caminho errado, são circunstâncias que nos levam a acreditar que é obrigatório seguir em frente vinculando tal atitude a coragem.

Uma ideologia fajuta, uma ex-namorada em descrédito, ou até a incessante pressão pelo modelo de felicidade capitalista nos leva a acreditar que a prudência é o inverso da coragem, nos estimulando a caminhar sem medir as conseqüências reais de nossas atitudes, quando na verdade a coragem para se ter prudência seria muito mais sensato.

Ir de encontro ao nosso desejo imediato, pensar duas vezes antes de agir ou pelo menos uma vez, mas direito, exige muito mais coragem. Se desafiar é um estimulo para esse sentimento, procuremos mesclar de forma sábia o que se sente e a razão; é preciso ter coragem!