Não as drogas

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de “experimenta, depois quando você quiser é só parar…” e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de “raiz”, da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira. Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais quente,comecei a chamar todo mundo de “amigo” e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve… Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores: o Tchan, Companhia do Pagode e muito mais. Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes. Então, meu amigo me deu o que eu queria: um CD do Harmonia do Samba! Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais… Comecei a frequentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro. Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea “As melhores do Molejo”. Foi terrível!! Eu já não pensava mais!!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas. Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido. Quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras… Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser do pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo. Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: Não ligue a TV no domingo à tarde; não escute nada que venha de Goiânia ou do interior de São Paulo; não entre em carros com adesivos “Fui…..”; se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Sábado do Gugu; mulheres gritando histericamente são outro indício; não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa; não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados; não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo; não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil, e não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
Mas principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!!
Luiz Fernando Veríssimo

Prudente coragem

A coragem é um termo extremamente vinculado com a valentia, a ousadia instantânea e a ignorância perante o medo. Porém devemos lembrar que ter a prudência de recuar em determinados casos também pode ser intitulada dessa forma.

Quantas vezes ouvimos em nossa infância de vários colegas nossos a seguinte frase: “tem coragem não é?”. Geralmente isso é dito quando somos incitados a colocar uma bomba num carteiro, jogar uma pedra na lataria de um carro, etc. Alguns talvez por insensatez “engolem a corda” e não enxergam a imprudência que se está cometendo, de fato são nessas horas em que a coragem de se negar a fazer tal coisa se faz necessária.

Durante toda a vida em inúmeros momentos nos encontramos com situações semelhantes a essas, só que com o decorrer do tempo não são apenas nossos coleginhas que nos estimulam para o caminho errado, são circunstâncias que nos levam a acreditar que é obrigatório seguir em frente vinculando tal atitude a coragem.

Uma ideologia fajuta, uma ex-namorada em descrédito, ou até a incessante pressão pelo modelo de felicidade capitalista nos leva a acreditar que a prudência é o inverso da coragem, nos estimulando a caminhar sem medir as conseqüências reais de nossas atitudes, quando na verdade a coragem para se ter prudência seria muito mais sensato.

Ir de encontro ao nosso desejo imediato, pensar duas vezes antes de agir ou pelo menos uma vez, mas direito, exige muito mais coragem. Se desafiar é um estimulo para esse sentimento, procuremos mesclar de forma sábia o que se sente e a razão; é preciso ter coragem!

A mãe girafa faz o filho sofrer

A mãe girafa faz o filho sofrer. O parto da girafa é feito com ela em pé, de modo que a primeira coisa que acontece com o recém-nascido é uma queda de aproximadamente dois metros.
Ainda tonto, o animal tenta firmar-se nas quatro patas, mas a mãe tem um comportamento estranho: ela dá um leve chute, e a girafinha cai de novo ao solo. Tenta levantar-se, e é de novo derrubada.
O processo se repete várias vezes, até que o recém-nascido, exausto, já não consegue mais ficar de pé. Neste momento, a mãe novamente o instiga com a pata, forçando a levantar-se. E já não o derruba mais.
A explicação é simples: para sobreviver aos animais predadores, a primeira lição que a girafa deve aprender é levantar-se rápido.
A aparente crueldade da mãe encontra total apoio em um provérbio árabe: “as vezes, para ensinar algo bom, é preciso ser um pouco rude”.
Paulo Coelho

A visão de Deus e as linhas tortas


Quem nunca ouviu falar da celebre frase “Deus escreve certo por linhas tortas”? Costumamos afirmar e ouvir esse tipo de coisa quando já se passaram os problemas aos quais a vida nos expõe vez por outra. Mas muitas vezes acabamos por esquecer que quem deixa as linhas tortas é a nossa miopia diante dos fatos, o que na verdade é uma ilusão de ótica para nós para Deus é um caderno em perfeito estado e de linhas retas.

No contragosto das dificuldades que nos são apresentadas sempre nos interrogamos o porquê de tais acontecimentos, mas com o passar do tempo reconhecemos que o melhor fora o ocorrido. Quando se aproxima os frutos da providência divina e tudo começa a se encaixar perfeitamente agradecemos a Deus por tudo, mas o maior problema não está ai e sim no período de sofrimento extremo pelo qual passamos. Será tudo isso necessário?

Existem algumas pessoas que acreditam ser indispensáveis os momentos mais difíceis para o crescimento de cada um. Não sou totalmente adepto dessas idéias. Vejamos como o simples fato de entregarmos nossos problemas nas mãos de Deus nos traria maior alívio, e de quão desnecessárias seriam as horas de sofrimentos vivenciadas. Quando confiamos n’Ele temos a convicção de que andamos em linhas retas e de que nada nos trará dano algum. Mesmo com as dificuldades, as atribulações, tudo estará em perfeita harmonia com a vontade de nosso Criador, e pensando assim teremos a garantia de que o melhor para nós estará sendo feito, evitando um sofrimento perfeitamente inoportuno.

Também não é pelo simples fato de confiar em Deus que ficaremos inertes diante das situações adversas, porém se faz indispensável agir de acordo com a Sua palavra, pedindo sempre a melhor orientação.

Todavia lembremos que quando nossas vidas estão legitimamente entregues nas mãos do Criador não temos com o que nos preocupar. As trevas que enxergamos diante de nossos olhos podem ser as próprias pálpebras que desabam diante da incapacidade que temos de resolver algumas coisas. Apenas abre teus olhos, segura confiante na mão de Deus e verás o quão reto é o caminho que se apresentará.

Partida virtual, sentimento real!


Sempre me indaguei sobre o que faz o ser humano torcer por um time de futebol até o ponto extremo de criar intrigas profundas com quem diz ao menos uma chacota com sua equipe. Hoje em dia essa dúvida me incomoda ainda mais, porque todos já ouvimos falar dos acordos nos bastidores para favorecer algum time, e ainda no ano passado era destaque nos noticiários de TV a Máfia do Apito, criada por alguns árbitros corrompidos a fim de manipular os resultados. Tudo isso veio a complicar ainda mais minha dúvida.

Qual a lógica em torcer por um time cuja única coisa fixa nele é o escudo que o representa? Sim, porque é comum a mudança de técnicos em quase todas as temporadas. Os jogadores dificilmente passam mais de seis meses na mesma equipe, e quando menos esperamos lá estão eles jogando ou treinando o nosso principal rival. Como explicar a paixão doentia por um escudo com tudo isso que acontece em nossos dias?

Não sei bem quais as respostas para essas dúvidas que tanto me intrigam. O que posso afirmar é que sou um desses torcedores que não entendem essa lógica, e que às vezes é capaz de discutir aos gritos tentando convencer seja lá quem for que minha equipe é a mais preparada, ou de justificar sua derrota em salários atrasados, falta de apoio da torcida e até por companhias conhecidas como “pé-frio” na hora do jogo.

Tudo isso torna a vida ainda mais interessante e nos leva a refletir intensamente sobre a influência do imaginário em nossa realidade. De outra forma como explicaríamos que tantas falcatruas e jogos de cartas marcadas nos fizessem chegar ao extremo de chorar de raiva ou até de alegria sem afetar o nosso bom senso?

A semente e a terra


É comum ouvirmos que colhemos o que plantamos. Geralmente esse tipo de afirmação vem nos momentos mais exultantes ou na época em que estamos abatidos por uma crise grave. O fato é que nem tudo depende só dá boa semente, muito tem haver com a terra em que semeamos.

Muitas vezes na vida estamos cheios de boas intenções, atitudes nobres, e somos surpreendidos por uma decepção que avaliamos como sem precedentes. Vez por outra até culpamos Deus porque acreditamos não merecer o que nos atordoa.

Então, onde está o problema? A questão é se escolhemos bem o local de se plantar as sementes. Jesus cita isso em uma de suas parábolas: "Eis que o semeador saiu a semear. E quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na.E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". (Mateus, XIII, 3 a 9).”

Pois bem, antes de nos perguntarmos o que fizemos de errado, ou porque nos decepcionamos tanto, observemos de forma criteriosa a terra que escolhemos para plantar a boa semente. É importante não jogar todas elas em um só lugar, fique atento se as que já estão crescendo se desenvolvem com plenitude, porque de outra forma é melhor procurar novos ares.

Pensar... e agir!?

Quantos problemas e situações a vida coloca em nossa frente para resolvermos e muitas vezes achamos a formula perfeita para tudo, mas só em pensamento?! Esbarramos na prática, ou melhor, ficamos paralisados e nos vemos inertes a tantas idéias milagrosas. É como se pudéssemos tudo, fizéssemos muito pouco e ficássemos sem entender o porquê...

É preciso ter uma meta, mas ao mesmo tempo é preciso encará-la com realismo e enxergar as etapas que surgirão. É natural desejarmos uma solução imediata para tudo que nos interessa e afeta diretamente, porém é preciso reconhecer a importância do amadurecimento que esses momentos de “espera” nos trazem.

O que não podemos é ficar paralisados, pois isso ocorre geralmente quando mais desejamos soluções imediatas e não vislumbramos que a saída está na paciência de esperar.

Soluções imaginárias aparecem a todo instante, para qualquer que for o problema, a questão é; quando passaremos a agir e deixaremos apenas de “criar saídas” que não nos levam a lugar nenhum?

Nossos representantes!?

Vez por outra assisto a TvCâmara e a TvSenado, diante de tantos discursos e apartes, parece que o nosso país anda muito bem e que estamos sendo legitimamente até bem representados; mas só parece. Esta semana, assistindo a um determinado canal de televisão, passava um programa no qual o debate girava em torno da crise aérea pela qual enfrentamos. Participavam três deputados: dois governistas e um oposicionista (também achei garapa “dois contra um”, mas o mediador se posicionou e equilibrou o bate-boca).

Tudo foi bem hilariante. Um dos governistas chegou a dizer que a prioridade número um do país seria resolver esses atrasos nos aeroportos; até que uma telespectadora ligou revoltada, afirmando que se passara mais de dois meses e ela não havia sido atendida em um hospital do SUS. Foi então que disparou para o deputado: "o que é mais urgente: resolver os problemas da saúde e educação, ou fazer todo um alarde, usando os holofotes da mídia, para evitar que uma maioria da classe média e alta não fique esperando sentadas, algumas horinhas, em um aeroporto?" A reação do deputado foi aquela de todo o político demagogo: afirmou que muitas pessoas menos favorecidas financeiramente também utilizavam esse meio de transporte e... blá blá blá...

Tudo nos leva a refletir quem são “nossos representantes”. Chegamos a um ponto cada vez mais critico, elegemos para falar por nós pessoas com comprometimentos penosos para a maioria do povo; geralmente, grandes fazendeiros ou industriais - e até temos verdadeira discriminação com os candidatos chamados “nanicos”(por terem poucos recursos financeiros), em época de eleição. Estamos colocando para representar a fome quem vive de barriga cheia; para representar a sede quem vira madrugadas derrubando garrafas de Whisky e trocando diariamente a água de suas piscinas. Isso está certo?

Até quando ficaremos chamando alguns políticos de bandidos, com as mãos cruzadas? Até quando ficaremos inertes diante da destruição do patrimônio público? Até quando vencerá o jingle eleitoral mais bonito e o candidato que tem mais carros nas carreatas? Nós, cidadãos comuns, até quando colocaremos para nos representar quem só vive dentro de carro blindado e andando de avião?
Obs: a telespectadora merece o reconhecimento de todos nós.

Esperança

Almejar o quase impossível é considerado por muitos uma atitude insana, outras pessoas preferem classificar de utopias tudo que não é fácil de conseguir. O que nos leva então a acreditar que se pode tornar real os sonhos? A esperança.

Somente a esperança não dá ouvidos a dúvida e nem aos obstáculos. Para ela acreditar é tudo, persistir é vencer e sonhar é viver.

Ao sonhar alimentamos a esperança. Ao acordar devemos caminhar junto com ela em busca do que se quer, pois do contrário é desistir de viver. Abandonar os sonhos é não ter esperança na vida, e neste caso a cada dia morremos um pouco.

Às vezes deixamos adormecer a ânsia pelo que buscamos, nesses momentos é necessário lembrar de que consiste nossa verdadeira felicidade, pois é dela que precisamos para uma existência plena.

LEMBRE-SE: A esperança não morre nos sonhos e para viver é preciso sonhar.

Carlos Heitor Cony

Um artigo muito interessante na Folha de São Paulo sobre a essência humana e as bandeiras levantadas. Vale a pena conferir!

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2303200725.htm (Só para assinantes)

Morrer melhor: Insanidade capitalista!

As previsões climáticas para as próximas décadas não tem sido nem um pouco animadoras. Segundo os mais variados institutos de pesquisas em todo o mundo, caminhamos para uma completa catástrofe. Citam como fator principal a emissão de gases poluentes para a camada de ozônio.

Dentre as previsões algumas chamam mais atenção: o aumento da temperatura mundial previsto para esse século é de aproximadamente 4%, isso quando 2% já seriam suficientes para causar grandes estragos em nosso globo terrestre; no Brasil, por exemplo, boa parte do Nordeste deve se torna um deserto, tornando impróprio para habitação humana; outra previsão alarmante é que alguns dos dez maiores rios do mundo estão sob ameaça de secar, graças ao aquecimento previsto, assim como pela má utilização da água. Bem, o quadro acima não é nenhum pouco animador, e é porque deixei de citar, por exemplo, que até no Sul e Sudeste do Brasil passarão a ocorrer os temíveis tornados.

Num contexto como esse é natural que perguntemos: o que temos feito para evitar que isso ocorra? Alguns países têm buscado soluções, ainda que tímidas, mas que em longo prazo surtirão algum efeito(ex: parte da União Européia). O que mais surpreende (será?) é a postura da principal potência mundial, cujo mandatário maior, por convicção e pressão de seus compatriotas se nega a participar de qualquer ação que vise amenizar essa catastrófica previsão. Por quê? É simples, afeta diretamente os lucros das grandes empresas poluidoras que estão justamente instaladas em território norte-americano.

Nessas horas a humanidade assiste de mãos atadas a inércia de quem mais poderia contribuir para a busca de uma solução considerável; os EUA. O capitalismo se infiltrou de tal forma dentro de nós que pensamos de acordo com ele, e até chegamos algumas vezes a comprar a briga que não nos trás beneficio, mas é vendida como correta pelos meios de comunicação, majoritariamente controlados pelas grandes empresas capitalistas. Protestos até que ocorrem, mas não é suficiente para sensibilizar quem parece não ter preocupação com o futuro e só pensa no lucro que o presente pode oferecer.

Até que ponto chegará a ambição humana? A destruição beira a nossa Terra e mesmo assim “continuamos brigando por quem vai morrer melhor”, apesar de saber que poderíamos lutar contra o mal comum e sairmos todos vencedores.

A trave no olho

Acompanhamos nos últimos dias a guerra fratricida entre o arcebispo da Paraíba Dom Aldo Pagotto e lideranças da Igreja Universal do Reino de Deus. O motivo? As criticas proferidas pelo arcebispo condenando a mais nova sede da IURD em João Pessoa. Dom Aldo se diz contra a magnificência do templo e taxa os lideres da denominação de “mercantilistas da fé”.

Bem, de imediato podemos considerar o arcebispo correto. Não tem para quê ostentar luxo em meio a tanta desgraça que poderia ser amenizada com o mesmo dinheiro. Agora sejamos sensatos; de onde vem essa critica? De um representante da Igreja que construiu templos com ouro e pedras preciosas num passado não tão distante.

Até merece respeito a atitude nobre de Dom Aldo, mas consideremos que o mais prudente seria desferir essas criticas ao seu líder maior na hierarquia da Igreja Católica; o Papa. Ele mesmo que só pisa em tapete vermelho, e que quando visita um país os seus gastos se aproximam aos da construção de um grande templo. Nada contra o Papa, tenho muito respeito por ele, mas que essas atitudes em muito se distanciam da simplicidade do fundador do cristianismo.

Portanto, fica aqui uma sugestão, tanto aos lideres cristãos da IURD como aos da Igreja Católica: tentem investir mais com o que arrecadam nas carências humanas básicas dos servos; invistam menos em pedra e cal, e lembrem que a carne e o osso necessitam de cuidados bem mais urgentes e constantes.

No mais, um versículo bíblico: "Como é que vedes um argueiro no olho de vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho? - Ou, como é que dizeis ao vosso irmão: Deixa - me tirar um argueiro do teu olho, vós que tendes no vosso uma trave? - Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois então, vede como podereis tirar o argueiro do olho de vosso irmão." (Mateus, cap VII, vv. 3 a 5)

Vencedor

Corpo da gente padece
Se for viver de lembrança.
E na vida o que se planta,
Se não colher apodrece.

E sequer pensar se ama -
Nossa memória que esquece -,
Tenta fazer-nos uma prece:
É coração que se engana!

E respirando paixões,
Eu quis amar e não pude -
São fantasias e ilusões,
Que só o real desilude!

Pois, dessa vez, eu não perdi
Para o mundo de amantes.
Lembrando que jamais venci...
Mas vivo! Melhor que antes...

Evaporou...

A visita do Presidente norte-americano George W. Bush ao Brasil trouxe pouca coisa de novidade. Pelo menos no que diz respeito a boas notícias, pois o que não piorou continuou na mesma.

Com seu aparato de segurança (até pequeno em relação ao pavor que o povo demonstra sentir por suas ações) impressionou mais que os possíveis frutos que essa visita poderia acarretar. Por sinal, os quilos de comida trazidos de fora, o engarrafamento gerado pela chegada de sua comitiva e a garagem reservada para seus cães foram os fatos que mais chamaram a atenção da mídia.

Trataram Bush como um pop star mais do que por ser um chefe de Estado. Vasculharam seu apartamento após sua saída e esqueceram de mostrar com mais ênfase o objetivo dessa “visita de cortesia”. O fato é que sua estadia em nosso continente teve como objetivo a estratégia de melhorar as relações políticas com alguns paises que estão sob influência continua do Presidente venezuelano Hugo Chavez.

Chavez que não é nem um pouco alheio as jogadas do Império Ianque, conseguiu chamar a atenção com os movimentos organizados em repúdio a visita de quem ele define como “Diabo”.

Com todo esse jogo de cena esquecemos as boas novidades que Bush não trouxe. Evaporou como um etanol.

Engatinhando pela vida

Como nos vem a vontade de voltar a ser criança; a enxergar o mundo como uma criança. Tudo é bem mais simples. Não entendemos quase nada do que se passa ao nosso redor: jogos, negociações, relacionamentos, classes sociais, etc. Apenas queremos brincar sem grande maldade. Acreditamos em tudo que é dito, até os nossos maiores sonhos se limitam a um pequeno lanche na pizzaria com a nossa família.

Como seria bom esquecer tanta mediocridade. Ajudaríamos mais uns aos outros sem cobrar nada em troca. Choraríamos ao ver algum colega nosso se machucar, e talvez se todo o mundo fosse criança de uma só vez, quando chorássemos Deus não deixaria que nada acontecesse de mal a nenhum de nós.

As namoradas, isso é lógico que teria que ter! E como seria bom se quando chorássemos o nosso bom Deus a devolvesse para perto de nós. Não existiria maldade, mas um amor do jeito que deve ser: sincero, transparente e totalmente voluntário.

Já imaginou as guerras? Não existiriam. No máximo puxaríamos o cabelo de nosso colega, mas nada que não fosse resolvido sem nenhum grande problema. Como seria melhor se todos fossem crianças! Quando não entendêssemos o que se passava diante de nossos olhos, então Deus nos traria conforto e entendimento.

Jesus disse na Bíblia: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. Daí pode-se concluir o quão é feito de acordo com o coração de Deus essa etapa de nossas vidas. Acredito que é possível agir sem maldade, apenas pelo que manda nosso coração, e isso é a nossa verdadeira razão... a razão de viver!

Raymundo Asfora - 20 anos de saudade!


"Era como um manancial de águas correntes. Ninguem precisava se abaixar para beber da sua água, ela corria no nivel de todas as necessidades." (Asfora)
"Certa vez Raymundo Asfora proferiu uma sentença que só o homem que pensa, que sofre, que ri, que chora que pede, suplica, implora, diria coisa tão bela, ou debocharia dela fazendo a cena engraçada: a morte está enganada eu vou viver depois dela." (Ronaldo Cunha Lima)

Dieta involuntária

Estou meio que perdido,
Sempre triste, só lamento.
Agora só sobrevivo
De pão, água e sofrimento.

Abandonado, só respiro
O que deixaste de tormento.
Agora só sobrevivo
De pão, água e sofrimento.

Desarrumado, e sem destino
Vivo morrendo por dentro.
Agora só sobrevivo
De pão, água e sofrimento.

No chão, firme não piso.
Andar sozinho não agüento.
Agora só sobrevivo
De pão, água e sofrimento.

Dessa dieta desisto,
Que o coração ta morrendo.
Agora só sobrevivo
De pão, água e sofrimento.

Pesadelo: para acordar melhor


Sonho estranho. Covarde. Sonhar sabendo da impossibilidade; sim porque existem coisas impossíveis, pode ter certeza disso. Quando acordamos tudo se torna um pesadelo. Pura covardia.

Quem tem a chave dos sonhos? Se as tivesse trancaria todos, só deixaria os pesadelos serem processados, porque ai ao acordar sentiria um alivio e não ficaríamos sempre angustiados. Quando o que já foi real torna-se apenas uma ilusão é bem melhor não sonhar.

A realidade pede muitas vezes a fuga para os sonhos, e só se faz necessário ceder quando isso não compromete o retorno à realidade. Mas como controlar isso? Também não sei. Apenas tento projetar um mundo melhor, e menos covarde. Um mundo que valorize o real, a sinceridade, mas acima de tudo a coerência.

Acabei de acordar e fiz questão de escrever, porque entre o sonho virtual e o pesadelo real existe algo em comum; são apenas criações. Mas existem. Tanto que sinto a alegria e a angústia, a lágrima e o sorriso, a felicidade e a dor.

Que me deixem sonhar pela eternidade, ou que façam do meu pesadelo apenas uma ilusão rápida e passageira. Porque ter pesadelo tem sido um sonho para puder acordar melhor.

Resistência

ETERNA MÁGOA

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo á Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

Augusto dos Anjos

Escombros de uma crença

Nascer já não é tão fácil, e quando somos obrigados por forças maiores a renascer? É complicado, mas a vida nos cobra isso vez por outra e nem sempre damos ouvidos. É necessário, porém, entender o chamado e querer agir, ou então temos todas as chances do mundo de ser hospedeiro da dor por um tempo prolongadamente dispensável.

Certa vez ouvi num momento difícil em que atravessava: “essa é uma das muitas decepções que enfrentamos na vida. Quando isso acontece devemos erguer a cabeça e seguir em frente!”. Ao se acabarem essas palavras, de imediato pensei se valia a pena estar aqui na Terra. Hoje vejo que vale. Sabe por quê? Talvez porque se ouve motivo para decepção, é também porque existiu crença, confiança e felicidade antes de tal sentimento chegar... e acredito que é possível renascer e voltar a acreditar nos sonhos.

Em tudo que aprendi nesse processo de reconstrução, a mais importante e melhor notícia é que, com os destroços do que resta do passado montamos um alicerce mais seguro e com maior estabilidade para o futuro. Viver se torna mais simples. Disseram-me outra época que “a dor tem uma função em nosso organismo”, repliquei que “nesse caso, em mim essa função poderia ter vindo com defeito de fábrica”, isso foi o necessário para ouvir a genial resposta: - Então procure a autorizada!

Aos poucos renasço e piso nos escombros do passado recente. Reconstruindo minha vida, procuro hoje escolher material de melhor qualidade do que os que em outra época pensei que prestava. Se for necessário ser igual a fênix, das cinzas que restarem não farei um só tijolo na elaboração do meu futuro.