União: política ou conjugal


Política envolve paixão e, assim sendo, foge bastante do campo da necessária racionalidade. A regra é essa, no entanto, existem as uniões/casamentos arranjados, em que a noiva ou o partido se veem forçados a formalizar um compromisso por circunstâncias alheias as suas vontades ou sentimentos.

Na Paraíba, temos vivenciado bastante esse tipo de tratamento, principalmente no que se refere as coligações político-partidárias. Várias siglas, como a menina que sofre imposição dos pais, tem partido para apoiar o grupo “A” ou “B” por determinação do que se acorda nas cúpulas partidárias. 

Como na vida de um casal, esse tipo de realidade também gera reflexos nas forçadas alianças feitas de última hora, mas recheadas e motivadas por interesses antigos – cultivando a semelhança política/relação conjugal, já que muitas vezes essas parcerias são sacramentadas a preço de ouro. 

Tal como no casamento arranjado, a aliança imposta gera um elo frágil e superficial, onde, não muito raro, se vive de aparências e com uma contagem regressiva, bastante anunciada, para o seu fim. É a receita para o fracasso, pois não empolga os nubentes. Além de facilitar e nutrir as traições.

O correto é ouvir o que clama as partes; se buscam o mesmo projeto, e, assim sendo, trabalhar nas diferenças motivado pelas semelhanças. O sucesso de uma aliança, política ou conjugal, depende muito da afinidade de pensamentos. Forçar o inconciliável é perder tempo, seja de vida ou de TV...

Eternidade














O eterno vive no sonho
De quem sente o infinito.
Tudo cabe em um segundo...
(Verdade; muito esquisito!)

O que o pensamento faz,
Revolto nos sentimentos,
É vida, na intensidade
De teias - que são momentos.

O bater do coração
É a luz na imensidão
De quem acha o seu caminho.

É o agora mais presente,
Registrando, eternamente, 
Um segundo de carinho.

O Maior São João do Mundo, sempre!


O Maior São João do Mundo é, sem dúvidas, o grande evento turístico da Paraíba e um dos maiores eventos populares do Brasil. Na economia local, se traduz no aquecimento do mercado em sua totalidade: rede hoteleira, restaurantes, comércio, etc. 

Em Campina, o orgulho de realizar tal festejo se mistura ao entusiasmo dos seus habitantes em participar do movimentado e rápido mês junino. Todavia, é preciso ampliar e fortalecer o evento, pois o seu diferencial sempre esteve no pioneirismo e na amplitude do formato. 

A festa de São João, acima de tudo por ter perfil cultural, é comum em todo o nordeste. Na Rainha da Borborema, especialmente, consolidou-se como referência para todo o país pela dimensão da festa e toda a estrutura que oferece. Tal realidade, no entanto, é a cada ano ameaçada pela proliferação de festejos com formatos semelhantes e, principalmente no nosso caso, pela falta de incentivo do Poder Público. 

Se falta ao governo estadual a liberação de recursos que financiem o evento, tem faltado a prefeitura a concepção de um projeto digno e amplo, que encare o nosso maior patrimônio turístico como realmente deve ser: expressão cultural, principal reforço para o comércio local e oportunidade de lazer para os que dela tem o direito de participar. 

É louvável a iniciativa da PMCG em investir numa melhor estruturação do Parque do Povo, casa maior da nossa festa. As críticas aos investimentos podem e devem ser ouvidas, mas jamais devem ignorar o que foi realizado. Mas, será “O Maior São João do Mundo” apenas isso? 

O Trem do Forró, o Salão de Artesanato, o Sítio São João e as quadrilhas juninas também fazem parte desse grande evento, e poderiam receber melhorias e incentivos que agregassem ainda mais valor a ele. 

O distrito de Galante, em especial, deve receber mais investimentos na estruturação da praça que recepciona o Trem do Forró – o que também serviria para os habitantes do distrito como equipamento de lazer e convívio o ano inteiro. 

As quadrilhas juninas precisam contar com um incentivo contundente, inclusive da iniciativa privada, envolvendo e estimulando os nossos habitantes no fortalecimento dessa cultura, que deságua no evento de junho. Neste caso, a mídia local também deveria ser chamada para dar a sua contribuição. 

O comércio deve ser “atiçado”, por meio de um programa de governo municipal, em parceira com o estadual, para apostar na ornamentação e reforçar o espírito junino da cidade: as melhores e mais criativas ornamentações receberiam isenções nos impostos municipais e estaduais, por exemplo. 

O leque de sugestões é amplo, e o debate deve ser posto, pois é obrigação nossa cuidar desse patrimônio; sugerindo, analisando e cobrando projetos e ideias; sempre buscando aprimorar o evento e ampliar a sua força. É o preço para se manter grande e se projetar maior – eterna matéria-prima do Maior São João do Mundo. Todos ganharemos com isso... 



A voz da prática

A arte da política é atraente, mas, ainda mais que isso, revela o perfil da democracia que temos e aponta a que queremos. O mais interessante, é que o resultado de nossas escolhas não são refletidos apenas na apuração das urnas, mas durante todo o processo que antecede a ela. 

O excesso de artimanhas, joguetes e fisiologismos partidários, exaustivamente explorados nos meios de comunicação, são os principais combustíveis para “incinerar” as novas e as renovadas apostas de mudança em nossa cultura política. 

Já reparou que a descrença estimula a manutenção do sistema falido que subsiste hoje? A desigualdade social, a insegurança, a baixa qualidade da nossa educação, etc; são reflexos diretos, mais do que dos votos, dos costumes e hábitos arraigados em nossa sociedade – tudo devidamente nutrido pela covarde acomodação que é imobilizada pela descrença. Somos, constantemente, treinados para achar tudo isso comum. 

Preste atenção em quem procura o seu voto. O discurso probo se coaduna com as práticas? Até que ponto a credibilidade de suas palavras merecem valor? Isso pode indicar, de maneira eficiente, o que está por trás da máscara produzida pelos publicitários. 

Aposto na prática, ecoada nos discursos, como antídoto para que possamos abranger novos e melhores horizontes. O tempo atestará se o caminho certo é esse escolhido. No entanto, os pequenos sinais, emitidos em todos os lugares, já reforçam que a direção é acertada. 

Acredito fielmente que podemos e vamos construir uma sociedade mais justa e igualitária, e, por isso mesmo, vislumbro na coerência, entre o discurso e a atitude, a oportunidade mais eficiente para que esse sonho, transbordante de esperanças, vire realidade.

A essência


Os movimentos comunitários representam a essência da boa democracia. Nele os anseios da população encontram representação mais direta e legítima; e a lógica que o define é simples - é a proximidade que torna o meio mais sincero, tal como o fogo passa mais calor ao objeto mais próximo.

De todo modo, me refiro ao movimento real, erigido verdadeiramente pela comunidade – sem manipulação de terceiros ou interesses escusos. São nessas agremiações que aposto para a consolidação de um novo momento político, onde se apontam as prioridades coletivas, para a melhora da realidade dos que precisam, de fato, da atenção privilegiada do poder público.

As prefeituras e as câmaras de vereadores deveriam ter mecanismos mais eficientes de canalizar e sintetizar essas vozes, que gritam abraçadas, em nome de um amanhã melhor. As redes sociais podem e devem ajudar, mas é preciso organizar mais essa interlocução, tornando-a mais transparente - além de ouvir a voz, é indispensável mostrar quem a emite.

Interessante observar que estes movimentos existem em bom número, mas poucos têm espaço nos noticiários, talvez porque a pauta que a maioria destes abrange sejam mais voltadas para projetos meramente políticos, em detrimento do que, essencialmente, representa e clama a sociedade.

É preciso ouvir e praticar o que os movimentos sociais de base esboçam, alçando-lhes a condição que merecem: verdadeiros detentores do poder, que emitem a direção do que deve ser priorizado. Sem falácia, sem superficialidade; na real; pela realidade.

Acredito que assim construiremos dias melhores. Vamos ampliar os debates, saindo dos muros das concepções pontuais e enxergando como um todo aquilo que deve ser para todos.



Há um pomar escondido no coração da semente



"Existe busca e assédio no beija-flor voador,
quando procura na flor essência para seu tédio
Mas como existe remédio no veneno da serpente
na virgem flor inocente há um desejo contido
E há um pomar escondido no coração da semente."

Raymundo Asfora

A verdadeira força da família

A família tem uma importância incrível na vida de todos nós. Ela é sinônimo de força, direcionamento, ponderação e paz. No entanto, quando não se dá o devido valor a mesma, o ser humano caminha sem chão, e com base apenas no que quer “pôr as mãos”, esquece que a queda é inevitável. O individualismo é nocivo a esta instituição formatada pelo Criador. A família precisa se enxergar como um todo. 

Indispensável notar que o que forma uma família é bem mais abrangente que o laço sanguíneo. Família é mais sentimento que matéria; é mais cumplicidade e confiança do que genética. Por isso, a própria Bíblia afirma que há amigos mais chegados do que irmãos. 

A liberdade e a unidade são matérias-prima para todas essas vertentes, uma não existe sem a outra. A primeira garante uma visão mais plural e completa. A segunda deve ser o resultado do respeito à primeira, temperado com a inteligência coletiva que norteará o corpo como um todo. Isso vale para os mais variados temas. 

A união promove a força, não só pela quantidade, mas pela qualidade do que veio antes. Nisso consiste o espírito da verdadeira família. O respeito, a democracia e a transparência devem preponderar; pois o que é bom para todos, também o é para cada um. A família é um dom de Deus. 

JULGAMENTO (Raymundo Asfora)


Crônica escrita por
 Raymundo Asfora.
Diário da Borborema

Está aberta a sessão. 

A voz do juiz, grave e solene, impõe silêncio às galerias. Uma atmosfera de profunda tensão emocional pesa sobre o ambiente. 

Entre dois guardas, no banco dos réus, um homem espera julgamento. É acusado da autoria de um crime de homicídio. 

O quadro é de uma quase rotina nas reuniões periódicas do Júri Popular. Mas, dessa vez, há um detalhe que torna a cena um pouco diferente. 

Você, leitor, está no plenário, porém não como um simples expectador. Nesse instante, uma toga envolve o seu ombro. Você é um dos membros do Conselho de Sentença. 

E vai julgar o réu – autor de um crime de morte que voltou a confessar, no interrogatório perante o júri. 

O fato abalou a cidade; a população aguarda, ansiosamente o veredito. 

A vítima - esposa e mãe – foi assassinada pelo próprio marido. 

O casal vivia em uma casinha, em um bairro da cidade, e era um modelo de paz. O esposo, homem de sessenta anos, estava aposentado do serviço público. A mulher, um pouco mais velha, tinha um câncer, e fazia um ano que suportava os mais atrozes sofrimentos. O marido tratava-a carinhosamente. De noite, descansava em uma cadeira ao pé do seu leito, para vigiá-la e socorrê-la, quando acometida de espasmos mais agudos. Ela, por diversas vezes, havia tentado o suicídio. Primeiro com um revolver que o esposo arrebatou-lhe das mãos; depois querendo envenenar-se ingerindo um porção de gás. Na noite dos fatos, as torturas físicas foram maiores que as de costume. O marido assistiu, durante várias horas, o doloroso espetáculo. 

Não resistindo mais – não suportando mais assistir à tragédia – pegou o revolver e disparou três tiros na cabeça da mulher. A morte foi instantânea. 

Permaneceu, longamente, ao lado do cadáver e, ao amanhecer, foi entregar-se na Delegacia de Polícia. 

A versão da ocorrência não foi contestada por ninguém. Acusação e defesa aceitaram-na, como expressão da verdade. O Promotor, todavia, pede a condenação do réu. Sustenta que o Direito tutela a vida e a ninguém é lícito destruí-la, mesmo movido por um sentimento de piedade. 

Leitor – chegou a sua vez de votar. Em nome da lei e fiel aos ditames da Justiça. Chegou a vez de você proferir o seu julgamento. 

Culpado ou inocente?

Raymundo Asfora

Crônica publicada no Diário da Borborema.


O GESTO (Raymundo Asfora)


Foi um gesto do passado
De claro sabor escuro,
Tão grave, tão demorado,
Que me habitou no futuro.

Um gesto que, bem pensado,
Nele ainda me procuro.
Tão de repente! E esperado.
Tão sem alma! Mas tão puro.

Um gesto de quem se fende
Ao meio e assim, face a face,
Uma a outra não compreende.

Gesto de efêmero eterno.
De uma noite que hasteasse
Sombras no fogo do inferno.


Raymundo Asfora


NOTA DO BLOG

Dando sequência a publicação de sonetos do meu avô, Raymundo Asfora, brindo aos leitores com este belíssimo "gesto". 

Campina: ontem, hoje e amanhã


Berço de grandes lideranças políticas e de um povo aguerrido e criativo, Campina Grande sempre se mostrou ousada por meio dos seus filhos. Hegemônica no cenário estadual, a Rainha da Borborema - via de regra - pauta os maiores debates na Paraíba, ditando nos pleitos a força de sua tendência preferida. Vêm sendo assim historicamente, há bem mais de 20 anos...

Aonde quero chegar? No exemplo da Campina de hoje, que se orgulha do passado distante, mas que pouco tem projetado um futuro diferenciado e promissor. Os administradores da nossa Capital do Trabalho, orgulhosos de fazer o básico, esquecem-se de mostrar uma perspectiva viável de desenvolvimento econômico. 

Onde está a Campina da Bolsa de Mercadorias, de Edvaldo do Ó, e do Maior São João do Mundo, de Ronaldo Cunha Lima? Cadê a Campina que é sede da reitoria da nossa Universidade Estadual e que detém a sede da Federação das Indústrias do Estado? Tem faltado ousadia a quem comanda os destinos do nosso povo, no sentindo de materializar a grandeza de espírito desta terra. 

Louvável foi a iniciativa da educadora Yara Macedo, em criar um portal (campinacrescecomvoce.org/) que busca catalisar as ideias dos conterrâneos, com o objetivo de vê-la verdadeiramente maior, porque grande ela já é. 

Tenho certeza que, na verdade, Dona Yara tem buscado bem mais do que isso. Ela anseia em resgatar o empreendedorismo de quem, em qualquer tempo, olhava adiante, usando o ontem para incrementar a sorte que sempre favorece aos audazes no amanhã – como diria Alexandre, o Grande. 

Portanto, é hora de nossas lideranças políticas pararem de se prenderem ao pretérito, como culpado de tudo o que não se vê. O que falta não está no passado, está no agora. Vamos lá! Vamos buscar fazer o horizonte neste instante de Campina – marca maior de quem sempre esteve à frente do seu tempo.

Determine a ação... e viva!


Ninguém vive sem um objetivo. A felicidade, gênero de várias espécies de sonhos, exige um sentido à vida. No entanto, nesse enredo, as especulações ganham espaço e, muitas vezes, geram frustrações. É que o objetivo demanda mais determinação que sonhos...

Sonhe... mas faça um projeto; Viva... e veja o sonho se realizar. Sem direção não chegaremos a lugar nenhum. Olhe para o futuro; do presente. A estrada é o meio, o sonho é o mapa e a determinação é o resto.

Falo em determinação porque ela não exclui o fracasso, nem muito menos os imprevistos verdadeiros. Mas é ela a semente do recomeçar na superação. É fonte de inesgotável querer e, por isso, sábia apreciadora de lições.

A determinação é a força que gera não só o primeiro passo, mas que – como um imã – nos atrai para o destino desejado. 

Entendamos que um sorriso não pode ser apenas um gesto facial, deve ser o atestado fiel do melhor caminho em si mesmo. Por isso, veja o tempo como oportunidade e o passado como um bom professor. A determinação te levará ao futuro que você quer, pois o que te distrai do teu sonho te afasta de ti mesmo. 

Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

PROJETO (Raymundo Asfora)

Eu quero a conclusão do inacabado
projeto da criatura. Quero o trinco
na porta, a luz na sala e, nesse afinco,
quero o jardim, o alpendre, o vôo ao lado

do céu campestre, o tempo carregado
de azul e frutos. Quero, enfim, o vinco
na calça, o amor na mesa, o som do zinco
com que suspendo a chuva no telhado!

Quero a face geométrica do passo
em falso, esse erro do equilíbrio, e a asa
subterrânea que o reabilite.

Quero plantar meu tempo neste espaço!
Como um homem constrói a sua casa,
construa-se a si mesmo e nele habite.

Raymundo Asfora

NOTA DO BLOG

Compartilho com vocês mais uma das escritas de Raymundo Asfora.
Dos sonetos feitos por vovô, este é um dos meus preferidos: sutil mas impactante... filosófico e belo!


De que lado você está?


Quando um projeto se consagra vencedor nas urnas, no caso da eleição majoritária, os parlamentares que defenderam tal norte são denominados de governistas. Da mesma forma, os que defenderam os projetos derrotados são considerados oposicionistas. Isso é básico, mas é por essa linha de raciocínio que quero refletir com vocês o quão deturpado está à atuação da nossa classe política.

A ausência de projetos consistentes permeia a totalidade das agremiações partidárias, o que reflete diretamente nos posicionamentos que saem do campo das ideias – pois muitas vezes inexistem para gerar um contraponto - e adentram no campo pessoal. Por isso, hoje em dia – via de regra -, não se condena determinada ação de um gestor público, se condena o gestor e ponto final. Para a oposição é tudo ou nada. Para os governistas, o que emana do poder executivo é como se fosse palavra bíblica para o cristão mais fervoroso. 

Mas o que deveria nortear a atuação parlamentar? Em minha opinião, o projeto partidário, e não o eleitoral – leia-se pessoal. Até porque é quase impossível dois projetos partidários serem totalmente antagônicos, o que demonstra que as votações no parlamento não deveriam revelar-se tão de cartas-marcadas. Para isso, é preciso trabalhar o projeto partidário que cada agremiação tem a oferecer a sociedade. 

É verdade que cada voto deve ser fundamentado ao eleitorado, do contrário a margem para a suspeita ficaria reforçada, mas é preciso quebrar o paradigma de que o parlamentar da oposição que votou com o governo é um traíra.

Os benefícios para a sociedade seriam inúmeros. Primeiro, vários projetos importantes não seriam retardados ou sepultados, prejudicando a todos por picuinhas que estão a margem do interesse da sociedade. Segundo, o debate qualitativo envolveria mais a sociedade, já que a mesma iria analisar visões distintas e reais, cobrando resultados e participando ativamente.

No dia em que tivermos uma política majoritariamente propositiva e impessoal, os tempos serão outros e bem melhores. Para isso, não é apenas necessária uma conscientização da classe política, mas sim uma conscientização do eleitor, na hora do voto. Pense bem. Que projeto você defende?

Campina Grande, 147 anos


Reconhecida como cidade no dia 11 de outubro de 1864, Campina Grande é celeiro de grandes marcos, do ciclo do algodão à realizadora da maior festa popular do país. A Rainha da Borborema encanta desde a sua localização geográfica à garra e determinação de quem nela vive..

Campina nasceu e se fez grande pelo pioneirismo do seu povo. Ousada, soube encontrar seu espaço em cada oportunidade. É referência em tecnologia, no esporte, no turismo, na indústria, na educação, na política e, ainda mais que tudo, na unidade do seu povo que vê no avanço dessa terra o caminho de si mesmo.

Hoje, Ela completa 147 anos de emancipação política, e já se nota em seu povo a inquietude de buscar mais para a Capital do Trabalho. Para uma cidade que sempre anseia tempos melhores, não basta o orgulho por seus feitos, é preciso vê-la à frente do seu tempo, se encontrando no futuro.

Esta cidade, irmã da madrugada, não dorme, porque é a responsável pelos sonhos dos seus filhos. É por isso que Campina nasceu na altitude da Serra da Borborema, porque é de lá que busca o horizonte de todos os que estão em seu berço.

Parabéns, Campina! Obrigado, Campina!! Te amamos, Rainha da Borborema!!!

O ciclo da Educação


Falar de uma nação próspera não é possível sem citar uma educação de qualidade. Uma coisa está intrinsecamente relacionada à outra. É dessa prioridade que produzimos ganhos reais em todas as demais áreas do desenvolvimento.

Dentro desse tema, muito se debate sobre o que deve receber mais atenção do poder público: seria o ensino básico mais importante que o superior ou o técnico, ou o inverso? Vejo que a discussão não deve ser por ai, cada etapa representa uma base para a seguinte, e com um aprofundamento diferenciado. Portanto, não devemos – nem podemos! – preterir nenhuma delas.

O ensino básico, que compreende o estudo inicial até o último ano do científico, deve ter a preocupação, além de ensinar os fundamentos básicos da formação, de identificar as aptidões de cada aluno e procurar, dentro desse contexto, estimular a busca pelo conhecimento de forma prazerosa. Pois é daí que vem o oxigênio de dar continuidade a qualificação de si mesmo.

Já o ensino técnico tem suma importância, pois se volta para o mercado de trabalho imediato, qualificando o profissional para a prática no manuseio de ferramentas que exigem maior complexidade, dentro de um período mais curto. Telecomunicações e radiologia são expoentes dessa etapa, que são indispensáveis para a engrenagem de uma sociedade mais produtiva e capacitada.

Do ensino superior, extraímos o debate que norteia os novos rumos que a evolução material e humana irá tomar. Fechando um ciclo onde a constante pesquisa e aprimoramento se fazem presentes, e que determinará o futuro desta e das etapas do conhecimento supracitadas.

É diante dessa interligação que devemos compreender a importância de uma nação mais prodigiosa em seus frutos. A saúde, a segurança, a geração de empregos e tudo o que move uma sociedade, passa por essa base, pois é daí que surge o planejamento do que nos rodeia. Sem estudar, o que quer que seja, teremos uma visão superficial que gerará resultados superficiais, e passaremos a vida inteira debatendo os efeitos, sem atentar que a causa é a nossa própria inércia.


Futuro (soneto)


É o destino do acaso
Construído em mutação.
A vida, encaminhando,
É desenho em construção...

É uma síntese do abstrato
Acontecimento humano,
Tracejo que vai errando
Num caminho quase exato.

Escrito no horizonte,
O eterno, por um instante,
é o agora já passado.

É o tudo que nos resta,
É o mundo que se apressa
Esperando ser talhado.



Transporte Público de qualidade, embarque na ideia!


Os engarrafamentos e a poluição permeiam as cidades de médio/grande porte em nosso país. Estimulado por uma ausência de política pública consistente, os transportes coletivos apenas servem de alternativa para os que estão impossibilitados de seguir por outro meio. Assim sendo, carros e motos superlotam as vias, causando poluição e atrasando a vida de todos, com problemas de saúde que afetam dos pulmões até o psicológico.

Em Campina Grande, a nossa querida Rainha da Borborema, o investimento no transporte integrado surtiu alguns efeitos positivos, no entanto, com o montante investido daria para tornar o transporte em massa bem mais eficiente. Aqui só existe um ponto de integração, ou seja, os passageiros devem se dirigir a um lugar da cidade – largo do Açude Novo -, se quiserem economizar e prezar pela segurança.

Onde está o equívoco e a má aplicação dos recursos públicos em nossa cidade? O grande problema foi no valor e no modelo da integração. A obra custou absurdos 6 milhões de reais e, ao contrário de outros modelos bem mais eficientes, centralizou o local da integração. Experiência bem mais sensata, e prática, foi aplicada aqui bem perto, em João Pessoa, onde a integração é feita através de um cartão que possibilita ao usuário pegar o coletivo em qualquer ponto de ônibus da cidade, poupando tempo e dinheiro, do povo e do erário público, já que um sistema assim não exige a exagerada quantidade em dinheiro vazada do patrimônio de todos.


É preciso repensar a forma de conduzir nossa política de transporte em massa. O Passe Livre, que busca dar gratuidade nos transportes coletivos, aos estudantes da rede pública de ensino, é uma ideia a ser discutida e posta em prática, pois ,além de tudo, possui viés sócio-educacional.

De todo modo, nem só de ônibus se resume o nosso transporte público.  Mototáxis, trens urbanos e a segurança da população se entrelaçam no sentido de proporcionar um sistema público de transporte realmente de qualidade.

Busquemos em lugares que lograram êxito, em seus transportes de massa, o rumo para produzir melhores resultados aqui. Em Toronto, no Canadá, a forma de pagamento, as placas de informações e a pontualidade são fortes estimulantes ao uso desse meio de locomoção.

E não vejo alto custo nisso, apenas é preciso otimizar o gasto, buscando custo-benefício real, ao invés de beleza arquitetônica. Uma central de informações seria de grande valia, monitorando, vinte e quatro horas do dia, as rotas dos transportes urbanos e transmitindo em painéis tais informações. Para isso basta boa vontade do agente público e uma mobilização da sociedade, no sentido de tomar partido nas decisões que lhe afetam o tempo inteiro.

É hora de pegar carona no bonde dos bons exemplos, refletindo e ponderando a forma de melhorar a nossa realidade. Transporte Público de qualidade, embarque nesse debate!

 
Saiba mais sobre o transporte público em Toronto, no Canadá:

 

SONETO DA EXISTÊNCIA


Em tudo, na existência,
É preciso ter cautela.
É nossa vida tão bela,
e feita pra paciência...

É provável que a ciência,
de tanto só estudar,
Se esqueça de “passear”
E conhecer a essência.

Tenho a certeza no peito,
Que pra manter o respeito
É preciso consciência,

Caráter e humildade,
Sorrir com sinceridade,
Relevando a aparência.

(IN)SEGURANÇA PÚBLICA

Segurança Pública é sem dúvidas um dos maiores gargalos do poder estatal na atualidade. O medo habita em cada residência e nos torna, cada dia mais, uma sociedade em eterno estado de alerta. PEC’s, PCCR’s e outras bandeiras de lutas são apontadas como soluções imediatas e de grande impacto, mas será que isso basta? Será que a insegurança se resume a insatisfação salarial?

A PEC 300, maior bandeira de luta dos policiais, certamente geraria maior estímulo e contribuiria muito para diminuir a corrupção e combater a criminalidade. No entanto, equipamentos e um serviço de inteligência mais eficaz, tornariam mais fáceis a vida da polícia e, na proporção inversa, complicaria a dos bandidos.

Importante lembrar também do efetivo que dispomos, pois não parece suficiente para, efetivamente, garantir um policiamento ostensivo e suprir a demanda crescente, tanto nos centros urbanos, como no meio rural. Viaturas e armamentos novos só são úteis quando tem alguém para manusear.


O serviço de inteligência, tão necessário, também deve passar pela integração com as comunidades. Pois não existe maior interessado numa sociedade mais segura do que as vítimas da insegurança. Colocar postos policiais nos bairros e aproximá-los dos moradores, nem que seja por telefone ou pela internet, proporciona ao Estado a capacidade de tornar mais ágil o combate ao crime.

No Ceará, existe a exitosa experiência do “Ronda Quarteirão”, onde as policias criam proximidade com as comunidades e agem numa parceria que tem diminuído os índices de violência naquele Estado.

Outro ponto, que acho interessante frisar, é a urgência de inverter o pânico gerado pelos constantes assaltos. Por exemplo, a polícia em áreas conhecidas como críticas poderia armar “arapucas” para atrair os bandidos contumazes. Mais ou menos assim: Coloquemos uma pessoa, com um celular de última geração, para andar por uma região conhecida pelos assaltos e aguardemos o “ataque”. Tomando essa medida algumas vezes na região, o pânico provavelmente inverteria o seu lado, e os assaltantes pensariam duas vezes antes de atacar um cidadão, suspeitando ser uma emboscada.

Claro que a sugestão dada anteriormente serve apenas para crimes mais simples, os mais complexos exigem táticas e operações avançadas, que passa pela estruturação do aparato policial.

A (in)segurança pública, além desse lado mais repressivo, deve ser pensada, principalmente, como parte de um todo, onde não se pode olvidar de mais investimentos na educação e na distribuição de renda.

Nos próximos artigos, exemplificaremos melhor o quanto todos os fatores estão interligados: segurança, saúde, e principalmente, distribuição de renda e investimentos sólidos na educação. Destacando que devem se envolver nesse problema de todos a União, os Estados e os Municípios.

A vida em sociedade é reflexo da complexidade do ser humano e o Estado deve buscar entender e suprir o que gera as consequências prejudiciais e benéficas, para a segurança de dias melhores.