Daltonismo Político

O atual clima de partidarismo nos debates nacionais é algo realmente impressionante, pessoas que nunca falavam sobre política passaram a opinar, dar sentenças nas mais diversas áreas e marcar posição nas redes sociais e nos espaços de convívio coletivo.

É interessante notar o grau de radicalização nesses “diálogos”, pois pouco resta de moderado. A pessoa logo é taxada de comunista, se defender um Estado mais presente na vida da população, ou é chamado de retrógrado, conservador e reacionário, se defender um Estado menos intervencionista.

É raro você encontrar alguém que consiga enxergar acertos e erros em ambas as posições. Estamos numa época do tudo ou nada. Surgiu do PT? É lixo! É do PSDB? Não presta! As ideias em si parecem ter pouco valor, o pessoal se posiciona mais segundo a origem.

Pintaram os projetos de verde e amarelo ou de vermelho, ignorando que existem boas ideias no arco-íris inteiro. O daltonismo político tem promovido uma geração intolerante e radical, onde a política muitas vezes se assemelha a torcida por um time de futebol. Não importa se o técnico é ruim, se a folha de pagamento tá atrasada, se gastam muito para ter pouco retorno ou não respeitam a torcida; defende-se um “escudo” e pronto. A política virou paixão nacional.

O grande problema dessa concepção é que, como acontece com quase toda paixão, muitas vezes só percebemos os erros cometidos com o passar do tempo, quando o sentimento esfria e já fica tarde para reparar os danos.

"Lá vem o Sol colorindo/ O resto da madrugada."


Há exatos dois anos, no Facebook, o tribuno e ex-prefeito Félix Araújo Filho glosava um mote de minha autoria. Segue abaixo o resultado do desafio:

"Um mote para o amigo Felix Araujo Filho: "Lá vem o Sol colorindo/ O resto da madrugada"

Raymundo Asfora Neto - (pelo nome já se sabe) que é da prosa e é do verso - manda-me um mote primoroso. Sem ser capaz de glosar à altura, atrevo-me, então, dizendo:

...................................................
Estrelas! Tanto as amei.
E as beijei em noites claras.
Belas musas e tão raras,
Cintilantes encontrei.
De bar em bar, eu cruzei
Minha noturna jornada
Abraçado à namorada
Para enfim dizer sorrindo:
"Lá vem o Sol colorindo
O resto da madrugada".
..................................................
(Félix Araújo Filho)"

O grande projeto e o pequeno compromisso

Imagine Campina Grande rodeada por mananciais que formassem um grande cinturão de água ao redor da cidade. Pois é, o projeto existe e até começou a ser executado – minimamente, mas foi; trata-se do Multilagos, idealizado nos anos 90 pelo grande arquiteto e engenheiro Geraldino Duda, o mesmo que projetou o Teatro Municipal e a praça Clementino Procópio, dentre várias outras importantes obras para a Rainha da Borborema. Por que pouco ou quase ouvimos falar dessa brilhante iniciativa? 

Projeto Multilagos
O Multilagos seria composto por 15 açudes ao redor da cidade – o primeiro deles já existe, é o “Zé Rodrigues”, em Galante –, fortalecendo a nossa agricultura, trazendo maior segurança hídrica e promovendo um singular espaço para o fortalecimento do lazer e do turismo em Campina. É um projeto de encher os olhos e de dar água na boca!

Todavia, em que pese as três décadas de sua concepção, o mesmo permanece estagnado. Por sua dimensão e complexidade, os gestores que passaram pela cidade, e também pelo Estado, não mostraram entusiasmo pela sua execução. A obra, que tem a dimensão dos sonhos de Campina, não cabe em apenas uma gestão e isso acaba por “esfriar” o olhar político sobre ela. E a população paga um preço alto pela pequenez política...

Hoje, prestes a receber as águas do Rio São Francisco, a ansiedade pela qual passamos poderia ser bem menor; poderíamos ter mais tempo para esperar pela redentora obra da transposição e sermos poupados de tantos dias de racionamento, bastaria termos feito o dever de casa e realizado o Multilagos ou, ao menos, parte expressiva dele.

Também de dimensão colossal, temos o Complexo Aluízio Campos, que contempla o setor habitacional, industrial e logístico da cidade. A fase das moradias já está bem avançada e deve ser entregue dentro de um ano, mas as demais carecem de maior tempo para se consolidar e gerar os frutos que todos os filhos da Capital do Trabalho esperam dela. 

Projetos dessa envergadura são, quando executados, presentes que valorizam o passado e cuidam do futuro, não cabem em um só tempo. Que lembremos sempre à classe política: fiquem atentos, pois, quem deles cuidam, costuma receber destaque na eternidade, já que maior do que a obra em si é a grandeza de espírito de quem deixa a contribuição possível para o tempo que lhe é dado.

Das voltas que o mundo dá

Estou tirando a poeira de cima da disposição e sacudindo a coragem para voltar a expor um pouco do que penso por aqui. O AsforaBlog vem desde 2006. 11 anos! É verdade que desde 2013 não o atualizo, mas nunca deixei, nem por um ano sequer, de reler e compartilhar as reflexões que haviam lapidado o meu tempo. O conservei até aqui não apenas para guardar lembranças, mas porque sabia e sentia que voltaria a continuar essa construção. Pois é, e agora estou de volta.

Buscarei não me prender a um tema ou estilo único, passearei, como sempre o fiz, pela poesia, críticas aos eventos cotidianos, curiosidades históricas, vídeos, reflexões existenciais, etc. Acredito que as coisas vão ficar mais movimentadas, pois vivemos tempos de intensos debates e de ampla interação. Isso é bom. Espero aprender bastante, evoluir. E que o respeito sempre nos acompanhe.

Aos que tiverem a paciência e o interesse de seguir conosco, faço um apelo para que não se restrinjam à passividade da leitura ou da crítica emudecida, participem e me ajudem a moldar minhas concepções. Quero e preciso ser influenciado por vocês. Parafraseando meu avô Asfora, libertarei no blog as palavras prisioneiras do coração.

O compromisso é pela atualização semanal. Quem tiver o interesse em receber as postagens, assim que forem postadas, pode cadastrar o seu e-mail na barra lateral à esquerda. Sejam bem-vindos! Espero não me perder na volta...

Emprego e busca

A busca por emprego e renda é uma constante na vida de cada cidadão brasileiro. Qualificação e experiência são as muralhas mais conhecidas que separam o trabalhador de sua oportunidade de trabalho. Ambas são importantes e se complementam, mas a iniciativa de procurar um espaço é também indispensável.

Vemos todos os dias pessoas e mais pessoas se qualificando. São cursos de inglês, informática, espanhol, etc. Todavia, na hora de ser inserido no mercado de trabalho, o cidadão parece aguardar que as suas habilidades, recém adquiridas, venham a ser reconhecidas e passem a convoca-lo para as mais diversas empresas. Não é bem assim que a coisa funciona.

Cabe, na maioria das vezes, ao próprio trabalhador a iniciativa de correr atrás de uma oportunidade. Seja através da entrega de currículos diretamente as empresas ou por meio de serviços como o Sistema Nacional de Emprego.  Não adianta se qualificar e se esconder, é preciso tomar a iniciativa de divulgar os seus atributos e ser persistente.

Experiência se adquire com o tempo e, no caso do primeiro emprego, com um pouco de sacrifício e uma pitada de sorte. Importante ressaltar, entretanto, o que diria o velho Einstein: “toda vez que a sorte batia em minha porta, eu estava trabalhando”. Percebe-se que a permanente qualificação é primordial, mas deve ser acompanhada de uma busca incansável por oportunidades. Se qualifique e procure quem está querendo quadros qualificados.

A verdade é que, se não tornar público o seu potencial, de pouco valerá falar vários idiomas. No máximo, teremos um pedinte poliglota. Anuncie-se!

A majestade da Rainha e os seus filhos











O lançamento de grandes centros comerciais, como os recentes anúncios de shopping centers, mexem com o brio do cidadão campinense, fazendo com que sintamos ainda mais orgulho dos destinos da nossa Rainha da Borborema. Mas, em meio a tanto alvoroço, um questionamento me chamou a atenção: qual a relação que esses anúncios podem ter com a especulação no mercado imobiliário na cidade?

Pode ser coincidência, mas acende o sinal amarelo o fato de que por trás de vários desses anúncios estão os empreendedores da terra que possuem terrenos e construções próximas aos referidos “sonhos de consumo”.

Não há nada de mal em investir próximo as propriedades que se possui, afinal, agregar valor é uma lógica de mercado. Mas, e se os anúncios não passarem de uma boa jogada publicitária visando a imediata valorização das terras nos arredores? E se, de fato, apenas utilizarem os anseios de nosso povo para produzir mais riquezas para poucos?

Que Campina é uma cidade vaidosa não é novidade para ninguém. Acho até que isso lhe rende bons frutos, motivando a ousadia e a inventividade do nosso povo. Todavia, é preciso certa dose de compromisso nesses impulsos, pois os mesmos não podem ultrapassar a barreira da responsabilidade ética e social.

Portanto, diante do grande número de empreendimentos anunciados aos quatro cantos, não custa nada nutrir essa reflexão. Que a nossa Rainha amplie sua majestade e que o seu povo comemore conjuntamente os frutos desse reinado, sem ilusões ou jogadas rasteiras; do contrário, teríamos filhos explorando a própria mãe – sendo que esta ainda carrega nos braços muitos dos seus irmãos. 

Deficiência moral


Colocar-se no lugar dos outros é, indubitavelmente, a melhor maneira de evitar que cometamos injustiças. Esta máxima é também um princípio que deveria ser observado por todos nós. Digo isso porque é lamentável vê-la em desuso por algumas pessoas, como pude presenciar dia desses em um grande supermercado de nossa cidade.

No caixa reservado para gestantes, idosos e deficientes, um indivíduo, na faixa dos 35 anos e com saúde visivelmente boa, resolveu entrar na fila de quem deveria ter prioridade. O resultado é que um senhor, aparentemente em torno dos 70 anos, se postou logo atrás dele. Foi o suficiente para a caixa do supermercado alertar ao intruso que aquele atendimento era exclusivo para as pessoas especificadas na placa afixada logo acima de onde estava.

Na defensiva, o referido indivíduo foi logo afirmando em tom de ironia: “você sabe se eu não tenho nenhuma deficiência? - olhou para o senhor logo atrás e disparou – este senhor tem muito mais disposição do que eu!”. Diante do constrangimento, o homem de cabelos brancos apenas deu um sorriso tímido, como quem busca evitar de qualquer modo maior embaraço.

Logo começou um bate-boca, onde a caixa solicitou ao insensível cidadão que apresentasse algum documento que justificasse aquela prioridade no atendimento. Nada feito. O gerente foi chamado e mandou que se atendesse, logo, o “cliente de tempos”. Enquanto isso, a atendente, resignada, sussurrou: “já a segunda vez que ele faz isso”.

Diante do fato, pensei: o “penetra” talvez tivesse razão, ele possui, de fato, uma deficiência diagnosticada apenas pela observação de sua conduta. A sua deficiência é de caráter...


O dízimo pagão


A vida constantemente nos confronta com uma balança de valores. Dia desses enfrentei um dilema em relação ao pagamento dos 10% de taxa de serviços para o garçom. A questão toda foi a qualidade do atendimento – já que tal cobrança se tornou normal. Atrasos demasiados na entrega das bebidas e dificuldade de acesso ao possível destinatário da gratificação foi o que motivou a desmotivação para a efetivação deste dízimo pagão.

O detalhe é que o garçom, quando aparecia, era todo simpatia. Demonstrando preocupação e presteza. Isto gerava uma espécie de amortecedor de impaciência, plantando uma semente de esperança de que as coisas seriam mais céleres. Ao final, tudo desandava novamente, restando apenas o radical protesto em forma do pedido da conta. É ai que vem o melhor...

Decorrido aproximadamente 30 minutos do pedido para o relatório das despesas de bebida e tira-gosto, chega a simpatia fácil, de atendimento difícil, com a sua lista do possível em virtude dos atrasos. Tudo com o seu devido valor, incluindo o couvert artístico – cobrando o preço "do jeito que a banda toca" – e ainda o acréscimo de 10% pelo “excelentíssimo” atendimento.

Certo. Você deve estar se perguntando o que acionou a balança de valores dos que carregam a consciência. É simples: era notório que o estabelecimento tinha muitas mesas para poucas gravatas borboletas, e isso explicava a falta de velocidade do serviço. A grande questão é que o garçom, neste caso, não tem culpa pelo mal atendimento e nem o cliente a obrigação de gratificar o que não foi gratificante. E ai, o que fazer?

Não pagar a taxa de serviço era uma maneira de protestar, mas afetava diretamente o bolso de quem se faz mil para ganhar 10%. Ou seja, o dilema só atesta o velho ditado de que “o pau só quebra nas costas do mais fraco”. E o mais fraco, neste caso, tem dois titulares possíveis, o cliente e o garçom; do lado mais forte, o proprietário que carrega os outros 90% enquanto observa a intriga da legitima defesa para receber dignidade.

Levantei e paguei a conta, sem os 10%. Fiz certo? Talvez. Indenizei a paciência, embora devendo danos morais a consciência. É a vida...





União: política ou conjugal


Política envolve paixão e, assim sendo, foge bastante do campo da necessária racionalidade. A regra é essa, no entanto, existem as uniões/casamentos arranjados, em que a noiva ou o partido se veem forçados a formalizar um compromisso por circunstâncias alheias as suas vontades ou sentimentos.

Na Paraíba, temos vivenciado bastante esse tipo de tratamento, principalmente no que se refere as coligações político-partidárias. Várias siglas, como a menina que sofre imposição dos pais, tem partido para apoiar o grupo “A” ou “B” por determinação do que se acorda nas cúpulas partidárias. 

Como na vida de um casal, esse tipo de realidade também gera reflexos nas forçadas alianças feitas de última hora, mas recheadas e motivadas por interesses antigos – cultivando a semelhança política/relação conjugal, já que muitas vezes essas parcerias são sacramentadas a preço de ouro. 

Tal como no casamento arranjado, a aliança imposta gera um elo frágil e superficial, onde, não muito raro, se vive de aparências e com uma contagem regressiva, bastante anunciada, para o seu fim. É a receita para o fracasso, pois não empolga os nubentes. Além de facilitar e nutrir as traições.

O correto é ouvir o que clama as partes; se buscam o mesmo projeto, e, assim sendo, trabalhar nas diferenças motivado pelas semelhanças. O sucesso de uma aliança, política ou conjugal, depende muito da afinidade de pensamentos. Forçar o inconciliável é perder tempo, seja de vida ou de TV...

Eternidade














O eterno vive no sonho
De quem sente o infinito.
Tudo cabe em um segundo...
(Verdade; muito esquisito!)

O que o pensamento faz,
Revolto nos sentimentos,
É vida, na intensidade
De teias - que são momentos.

O bater do coração
É a luz na imensidão
De quem acha o seu caminho.

É o agora mais presente,
Registrando, eternamente, 
Um segundo de carinho.

O Maior São João do Mundo, sempre!


O Maior São João do Mundo é, sem dúvidas, o grande evento turístico da Paraíba e um dos maiores eventos populares do Brasil. Na economia local, se traduz no aquecimento do mercado em sua totalidade: rede hoteleira, restaurantes, comércio, etc. 

Em Campina, o orgulho de realizar tal festejo se mistura ao entusiasmo dos seus habitantes em participar do movimentado e rápido mês junino. Todavia, é preciso ampliar e fortalecer o evento, pois o seu diferencial sempre esteve no pioneirismo e na amplitude do formato. 

A festa de São João, acima de tudo por ter perfil cultural, é comum em todo o nordeste. Na Rainha da Borborema, especialmente, consolidou-se como referência para todo o país pela dimensão da festa e toda a estrutura que oferece. Tal realidade, no entanto, é a cada ano ameaçada pela proliferação de festejos com formatos semelhantes e, principalmente no nosso caso, pela falta de incentivo do Poder Público. 

Se falta ao governo estadual a liberação de recursos que financiem o evento, tem faltado a prefeitura a concepção de um projeto digno e amplo, que encare o nosso maior patrimônio turístico como realmente deve ser: expressão cultural, principal reforço para o comércio local e oportunidade de lazer para os que dela tem o direito de participar. 

É louvável a iniciativa da PMCG em investir numa melhor estruturação do Parque do Povo, casa maior da nossa festa. As críticas aos investimentos podem e devem ser ouvidas, mas jamais devem ignorar o que foi realizado. Mas, será “O Maior São João do Mundo” apenas isso? 

O Trem do Forró, o Salão de Artesanato, o Sítio São João e as quadrilhas juninas também fazem parte desse grande evento, e poderiam receber melhorias e incentivos que agregassem ainda mais valor a ele. 

O distrito de Galante, em especial, deve receber mais investimentos na estruturação da praça que recepciona o Trem do Forró – o que também serviria para os habitantes do distrito como equipamento de lazer e convívio o ano inteiro. 

As quadrilhas juninas precisam contar com um incentivo contundente, inclusive da iniciativa privada, envolvendo e estimulando os nossos habitantes no fortalecimento dessa cultura, que deságua no evento de junho. Neste caso, a mídia local também deveria ser chamada para dar a sua contribuição. 

O comércio deve ser “atiçado”, por meio de um programa de governo municipal, em parceira com o estadual, para apostar na ornamentação e reforçar o espírito junino da cidade: as melhores e mais criativas ornamentações receberiam isenções nos impostos municipais e estaduais, por exemplo. 

O leque de sugestões é amplo, e o debate deve ser posto, pois é obrigação nossa cuidar desse patrimônio; sugerindo, analisando e cobrando projetos e ideias; sempre buscando aprimorar o evento e ampliar a sua força. É o preço para se manter grande e se projetar maior – eterna matéria-prima do Maior São João do Mundo. Todos ganharemos com isso... 



A voz da prática

A arte da política é atraente, mas, ainda mais que isso, revela o perfil da democracia que temos e aponta a que queremos. O mais interessante, é que o resultado de nossas escolhas não são refletidos apenas na apuração das urnas, mas durante todo o processo que antecede a ela. 

O excesso de artimanhas, joguetes e fisiologismos partidários, exaustivamente explorados nos meios de comunicação, são os principais combustíveis para “incinerar” as novas e as renovadas apostas de mudança em nossa cultura política. 

Já reparou que a descrença estimula a manutenção do sistema falido que subsiste hoje? A desigualdade social, a insegurança, a baixa qualidade da nossa educação, etc; são reflexos diretos, mais do que dos votos, dos costumes e hábitos arraigados em nossa sociedade – tudo devidamente nutrido pela covarde acomodação que é imobilizada pela descrença. Somos, constantemente, treinados para achar tudo isso comum. 

Preste atenção em quem procura o seu voto. O discurso probo se coaduna com as práticas? Até que ponto a credibilidade de suas palavras merecem valor? Isso pode indicar, de maneira eficiente, o que está por trás da máscara produzida pelos publicitários. 

Aposto na prática, ecoada nos discursos, como antídoto para que possamos abranger novos e melhores horizontes. O tempo atestará se o caminho certo é esse escolhido. No entanto, os pequenos sinais, emitidos em todos os lugares, já reforçam que a direção é acertada. 

Acredito fielmente que podemos e vamos construir uma sociedade mais justa e igualitária, e, por isso mesmo, vislumbro na coerência, entre o discurso e a atitude, a oportunidade mais eficiente para que esse sonho, transbordante de esperanças, vire realidade.

A essência


Os movimentos comunitários representam a essência da boa democracia. Nele os anseios da população encontram representação mais direta e legítima; e a lógica que o define é simples - é a proximidade que torna o meio mais sincero, tal como o fogo passa mais calor ao objeto mais próximo.

De todo modo, me refiro ao movimento real, erigido verdadeiramente pela comunidade – sem manipulação de terceiros ou interesses escusos. São nessas agremiações que aposto para a consolidação de um novo momento político, onde se apontam as prioridades coletivas, para a melhora da realidade dos que precisam, de fato, da atenção privilegiada do poder público.

As prefeituras e as câmaras de vereadores deveriam ter mecanismos mais eficientes de canalizar e sintetizar essas vozes, que gritam abraçadas, em nome de um amanhã melhor. As redes sociais podem e devem ajudar, mas é preciso organizar mais essa interlocução, tornando-a mais transparente - além de ouvir a voz, é indispensável mostrar quem a emite.

Interessante observar que estes movimentos existem em bom número, mas poucos têm espaço nos noticiários, talvez porque a pauta que a maioria destes abrange sejam mais voltadas para projetos meramente políticos, em detrimento do que, essencialmente, representa e clama a sociedade.

É preciso ouvir e praticar o que os movimentos sociais de base esboçam, alçando-lhes a condição que merecem: verdadeiros detentores do poder, que emitem a direção do que deve ser priorizado. Sem falácia, sem superficialidade; na real; pela realidade.

Acredito que assim construiremos dias melhores. Vamos ampliar os debates, saindo dos muros das concepções pontuais e enxergando como um todo aquilo que deve ser para todos.



Há um pomar escondido no coração da semente



"Existe busca e assédio no beija-flor voador,
quando procura na flor essência para seu tédio
Mas como existe remédio no veneno da serpente
na virgem flor inocente há um desejo contido
E há um pomar escondido no coração da semente."

Raymundo Asfora

A verdadeira força da família

A família tem uma importância incrível na vida de todos nós. Ela é sinônimo de força, direcionamento, ponderação e paz. No entanto, quando não se dá o devido valor a mesma, o ser humano caminha sem chão, e com base apenas no que quer “pôr as mãos”, esquece que a queda é inevitável. O individualismo é nocivo a esta instituição formatada pelo Criador. A família precisa se enxergar como um todo. 

Indispensável notar que o que forma uma família é bem mais abrangente que o laço sanguíneo. Família é mais sentimento que matéria; é mais cumplicidade e confiança do que genética. Por isso, a própria Bíblia afirma que há amigos mais chegados do que irmãos. 

A liberdade e a unidade são matérias-prima para todas essas vertentes, uma não existe sem a outra. A primeira garante uma visão mais plural e completa. A segunda deve ser o resultado do respeito à primeira, temperado com a inteligência coletiva que norteará o corpo como um todo. Isso vale para os mais variados temas. 

A união promove a força, não só pela quantidade, mas pela qualidade do que veio antes. Nisso consiste o espírito da verdadeira família. O respeito, a democracia e a transparência devem preponderar; pois o que é bom para todos, também o é para cada um. A família é um dom de Deus. 

JULGAMENTO (Raymundo Asfora)


Crônica escrita por
 Raymundo Asfora.
Diário da Borborema

Está aberta a sessão. 

A voz do juiz, grave e solene, impõe silêncio às galerias. Uma atmosfera de profunda tensão emocional pesa sobre o ambiente. 

Entre dois guardas, no banco dos réus, um homem espera julgamento. É acusado da autoria de um crime de homicídio. 

O quadro é de uma quase rotina nas reuniões periódicas do Júri Popular. Mas, dessa vez, há um detalhe que torna a cena um pouco diferente. 

Você, leitor, está no plenário, porém não como um simples expectador. Nesse instante, uma toga envolve o seu ombro. Você é um dos membros do Conselho de Sentença. 

E vai julgar o réu – autor de um crime de morte que voltou a confessar, no interrogatório perante o júri. 

O fato abalou a cidade; a população aguarda, ansiosamente o veredito. 

A vítima - esposa e mãe – foi assassinada pelo próprio marido. 

O casal vivia em uma casinha, em um bairro da cidade, e era um modelo de paz. O esposo, homem de sessenta anos, estava aposentado do serviço público. A mulher, um pouco mais velha, tinha um câncer, e fazia um ano que suportava os mais atrozes sofrimentos. O marido tratava-a carinhosamente. De noite, descansava em uma cadeira ao pé do seu leito, para vigiá-la e socorrê-la, quando acometida de espasmos mais agudos. Ela, por diversas vezes, havia tentado o suicídio. Primeiro com um revolver que o esposo arrebatou-lhe das mãos; depois querendo envenenar-se ingerindo um porção de gás. Na noite dos fatos, as torturas físicas foram maiores que as de costume. O marido assistiu, durante várias horas, o doloroso espetáculo. 

Não resistindo mais – não suportando mais assistir à tragédia – pegou o revolver e disparou três tiros na cabeça da mulher. A morte foi instantânea. 

Permaneceu, longamente, ao lado do cadáver e, ao amanhecer, foi entregar-se na Delegacia de Polícia. 

A versão da ocorrência não foi contestada por ninguém. Acusação e defesa aceitaram-na, como expressão da verdade. O Promotor, todavia, pede a condenação do réu. Sustenta que o Direito tutela a vida e a ninguém é lícito destruí-la, mesmo movido por um sentimento de piedade. 

Leitor – chegou a sua vez de votar. Em nome da lei e fiel aos ditames da Justiça. Chegou a vez de você proferir o seu julgamento. 

Culpado ou inocente?

Raymundo Asfora

Crônica publicada no Diário da Borborema.


O GESTO (Raymundo Asfora)


Foi um gesto do passado
De claro sabor escuro,
Tão grave, tão demorado,
Que me habitou no futuro.

Um gesto que, bem pensado,
Nele ainda me procuro.
Tão de repente! E esperado.
Tão sem alma! Mas tão puro.

Um gesto de quem se fende
Ao meio e assim, face a face,
Uma a outra não compreende.

Gesto de efêmero eterno.
De uma noite que hasteasse
Sombras no fogo do inferno.


Raymundo Asfora


NOTA DO BLOG

Dando sequência a publicação de sonetos do meu avô, Raymundo Asfora, brindo aos leitores com este belíssimo "gesto". 

Campina: ontem, hoje e amanhã


Berço de grandes lideranças políticas e de um povo aguerrido e criativo, Campina Grande sempre se mostrou ousada por meio dos seus filhos. Hegemônica no cenário estadual, a Rainha da Borborema - via de regra - pauta os maiores debates na Paraíba, ditando nos pleitos a força de sua tendência preferida. Vêm sendo assim historicamente, há bem mais de 20 anos...

Aonde quero chegar? No exemplo da Campina de hoje, que se orgulha do passado distante, mas que pouco tem projetado um futuro diferenciado e promissor. Os administradores da nossa Capital do Trabalho, orgulhosos de fazer o básico, esquecem-se de mostrar uma perspectiva viável de desenvolvimento econômico. 

Onde está a Campina da Bolsa de Mercadorias, de Edvaldo do Ó, e do Maior São João do Mundo, de Ronaldo Cunha Lima? Cadê a Campina que é sede da reitoria da nossa Universidade Estadual e que detém a sede da Federação das Indústrias do Estado? Tem faltado ousadia a quem comanda os destinos do nosso povo, no sentindo de materializar a grandeza de espírito desta terra. 

Louvável foi a iniciativa da educadora Yara Macedo, em criar um portal (campinacrescecomvoce.org/) que busca catalisar as ideias dos conterrâneos, com o objetivo de vê-la verdadeiramente maior, porque grande ela já é. 

Tenho certeza que, na verdade, Dona Yara tem buscado bem mais do que isso. Ela anseia em resgatar o empreendedorismo de quem, em qualquer tempo, olhava adiante, usando o ontem para incrementar a sorte que sempre favorece aos audazes no amanhã – como diria Alexandre, o Grande. 

Portanto, é hora de nossas lideranças políticas pararem de se prenderem ao pretérito, como culpado de tudo o que não se vê. O que falta não está no passado, está no agora. Vamos lá! Vamos buscar fazer o horizonte neste instante de Campina – marca maior de quem sempre esteve à frente do seu tempo.

Determine a ação... e viva!


Ninguém vive sem um objetivo. A felicidade, gênero de várias espécies de sonhos, exige um sentido à vida. No entanto, nesse enredo, as especulações ganham espaço e, muitas vezes, geram frustrações. É que o objetivo demanda mais determinação que sonhos...

Sonhe... mas faça um projeto; Viva... e veja o sonho se realizar. Sem direção não chegaremos a lugar nenhum. Olhe para o futuro; do presente. A estrada é o meio, o sonho é o mapa e a determinação é o resto.

Falo em determinação porque ela não exclui o fracasso, nem muito menos os imprevistos verdadeiros. Mas é ela a semente do recomeçar na superação. É fonte de inesgotável querer e, por isso, sábia apreciadora de lições.

A determinação é a força que gera não só o primeiro passo, mas que – como um imã – nos atrai para o destino desejado. 

Entendamos que um sorriso não pode ser apenas um gesto facial, deve ser o atestado fiel do melhor caminho em si mesmo. Por isso, veja o tempo como oportunidade e o passado como um bom professor. A determinação te levará ao futuro que você quer, pois o que te distrai do teu sonho te afasta de ti mesmo. 

Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

PROJETO (Raymundo Asfora)

Eu quero a conclusão do inacabado
projeto da criatura. Quero o trinco
na porta, a luz na sala e, nesse afinco,
quero o jardim, o alpendre, o vôo ao lado

do céu campestre, o tempo carregado
de azul e frutos. Quero, enfim, o vinco
na calça, o amor na mesa, o som do zinco
com que suspendo a chuva no telhado!

Quero a face geométrica do passo
em falso, esse erro do equilíbrio, e a asa
subterrânea que o reabilite.

Quero plantar meu tempo neste espaço!
Como um homem constrói a sua casa,
construa-se a si mesmo e nele habite.

Raymundo Asfora

NOTA DO BLOG

Compartilho com vocês mais uma das escritas de Raymundo Asfora.
Dos sonetos feitos por vovô, este é um dos meus preferidos: sutil mas impactante... filosófico e belo!