Campina: ontem, hoje e amanhã


Berço de grandes lideranças políticas e de um povo aguerrido e criativo, Campina Grande sempre se mostrou ousada por meio dos seus filhos. Hegemônica no cenário estadual, a Rainha da Borborema - via de regra - pauta os maiores debates na Paraíba, ditando nos pleitos a força de sua tendência preferida. Vêm sendo assim historicamente, há bem mais de 20 anos...

Aonde quero chegar? No exemplo da Campina de hoje, que se orgulha do passado distante, mas que pouco tem projetado um futuro diferenciado e promissor. Os administradores da nossa Capital do Trabalho, orgulhosos de fazer o básico, esquecem-se de mostrar uma perspectiva viável de desenvolvimento econômico. 

Onde está a Campina da Bolsa de Mercadorias, de Edvaldo do Ó, e do Maior São João do Mundo, de Ronaldo Cunha Lima? Cadê a Campina que é sede da reitoria da nossa Universidade Estadual e que detém a sede da Federação das Indústrias do Estado? Tem faltado ousadia a quem comanda os destinos do nosso povo, no sentindo de materializar a grandeza de espírito desta terra. 

Louvável foi a iniciativa da educadora Yara Macedo, em criar um portal (campinacrescecomvoce.org/) que busca catalisar as ideias dos conterrâneos, com o objetivo de vê-la verdadeiramente maior, porque grande ela já é. 

Tenho certeza que, na verdade, Dona Yara tem buscado bem mais do que isso. Ela anseia em resgatar o empreendedorismo de quem, em qualquer tempo, olhava adiante, usando o ontem para incrementar a sorte que sempre favorece aos audazes no amanhã – como diria Alexandre, o Grande. 

Portanto, é hora de nossas lideranças políticas pararem de se prenderem ao pretérito, como culpado de tudo o que não se vê. O que falta não está no passado, está no agora. Vamos lá! Vamos buscar fazer o horizonte neste instante de Campina – marca maior de quem sempre esteve à frente do seu tempo.

Determine a ação... e viva!


Ninguém vive sem um objetivo. A felicidade, gênero de várias espécies de sonhos, exige um sentido à vida. No entanto, nesse enredo, as especulações ganham espaço e, muitas vezes, geram frustrações. É que o objetivo demanda mais determinação que sonhos...

Sonhe... mas faça um projeto; Viva... e veja o sonho se realizar. Sem direção não chegaremos a lugar nenhum. Olhe para o futuro; do presente. A estrada é o meio, o sonho é o mapa e a determinação é o resto.

Falo em determinação porque ela não exclui o fracasso, nem muito menos os imprevistos verdadeiros. Mas é ela a semente do recomeçar na superação. É fonte de inesgotável querer e, por isso, sábia apreciadora de lições.

A determinação é a força que gera não só o primeiro passo, mas que – como um imã – nos atrai para o destino desejado. 

Entendamos que um sorriso não pode ser apenas um gesto facial, deve ser o atestado fiel do melhor caminho em si mesmo. Por isso, veja o tempo como oportunidade e o passado como um bom professor. A determinação te levará ao futuro que você quer, pois o que te distrai do teu sonho te afasta de ti mesmo. 

Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

PROJETO (Raymundo Asfora)

Eu quero a conclusão do inacabado
projeto da criatura. Quero o trinco
na porta, a luz na sala e, nesse afinco,
quero o jardim, o alpendre, o vôo ao lado

do céu campestre, o tempo carregado
de azul e frutos. Quero, enfim, o vinco
na calça, o amor na mesa, o som do zinco
com que suspendo a chuva no telhado!

Quero a face geométrica do passo
em falso, esse erro do equilíbrio, e a asa
subterrânea que o reabilite.

Quero plantar meu tempo neste espaço!
Como um homem constrói a sua casa,
construa-se a si mesmo e nele habite.

Raymundo Asfora

NOTA DO BLOG

Compartilho com vocês mais uma das escritas de Raymundo Asfora.
Dos sonetos feitos por vovô, este é um dos meus preferidos: sutil mas impactante... filosófico e belo!


De que lado você está?


Quando um projeto se consagra vencedor nas urnas, no caso da eleição majoritária, os parlamentares que defenderam tal norte são denominados de governistas. Da mesma forma, os que defenderam os projetos derrotados são considerados oposicionistas. Isso é básico, mas é por essa linha de raciocínio que quero refletir com vocês o quão deturpado está à atuação da nossa classe política.

A ausência de projetos consistentes permeia a totalidade das agremiações partidárias, o que reflete diretamente nos posicionamentos que saem do campo das ideias – pois muitas vezes inexistem para gerar um contraponto - e adentram no campo pessoal. Por isso, hoje em dia – via de regra -, não se condena determinada ação de um gestor público, se condena o gestor e ponto final. Para a oposição é tudo ou nada. Para os governistas, o que emana do poder executivo é como se fosse palavra bíblica para o cristão mais fervoroso. 

Mas o que deveria nortear a atuação parlamentar? Em minha opinião, o projeto partidário, e não o eleitoral – leia-se pessoal. Até porque é quase impossível dois projetos partidários serem totalmente antagônicos, o que demonstra que as votações no parlamento não deveriam revelar-se tão de cartas-marcadas. Para isso, é preciso trabalhar o projeto partidário que cada agremiação tem a oferecer a sociedade. 

É verdade que cada voto deve ser fundamentado ao eleitorado, do contrário a margem para a suspeita ficaria reforçada, mas é preciso quebrar o paradigma de que o parlamentar da oposição que votou com o governo é um traíra.

Os benefícios para a sociedade seriam inúmeros. Primeiro, vários projetos importantes não seriam retardados ou sepultados, prejudicando a todos por picuinhas que estão a margem do interesse da sociedade. Segundo, o debate qualitativo envolveria mais a sociedade, já que a mesma iria analisar visões distintas e reais, cobrando resultados e participando ativamente.

No dia em que tivermos uma política majoritariamente propositiva e impessoal, os tempos serão outros e bem melhores. Para isso, não é apenas necessária uma conscientização da classe política, mas sim uma conscientização do eleitor, na hora do voto. Pense bem. Que projeto você defende?

Campina Grande, 147 anos


Reconhecida como cidade no dia 11 de outubro de 1864, Campina Grande é celeiro de grandes marcos, do ciclo do algodão à realizadora da maior festa popular do país. A Rainha da Borborema encanta desde a sua localização geográfica à garra e determinação de quem nela vive..

Campina nasceu e se fez grande pelo pioneirismo do seu povo. Ousada, soube encontrar seu espaço em cada oportunidade. É referência em tecnologia, no esporte, no turismo, na indústria, na educação, na política e, ainda mais que tudo, na unidade do seu povo que vê no avanço dessa terra o caminho de si mesmo.

Hoje, Ela completa 147 anos de emancipação política, e já se nota em seu povo a inquietude de buscar mais para a Capital do Trabalho. Para uma cidade que sempre anseia tempos melhores, não basta o orgulho por seus feitos, é preciso vê-la à frente do seu tempo, se encontrando no futuro.

Esta cidade, irmã da madrugada, não dorme, porque é a responsável pelos sonhos dos seus filhos. É por isso que Campina nasceu na altitude da Serra da Borborema, porque é de lá que busca o horizonte de todos os que estão em seu berço.

Parabéns, Campina! Obrigado, Campina!! Te amamos, Rainha da Borborema!!!

O ciclo da Educação


Falar de uma nação próspera não é possível sem citar uma educação de qualidade. Uma coisa está intrinsecamente relacionada à outra. É dessa prioridade que produzimos ganhos reais em todas as demais áreas do desenvolvimento.

Dentro desse tema, muito se debate sobre o que deve receber mais atenção do poder público: seria o ensino básico mais importante que o superior ou o técnico, ou o inverso? Vejo que a discussão não deve ser por ai, cada etapa representa uma base para a seguinte, e com um aprofundamento diferenciado. Portanto, não devemos – nem podemos! – preterir nenhuma delas.

O ensino básico, que compreende o estudo inicial até o último ano do científico, deve ter a preocupação, além de ensinar os fundamentos básicos da formação, de identificar as aptidões de cada aluno e procurar, dentro desse contexto, estimular a busca pelo conhecimento de forma prazerosa. Pois é daí que vem o oxigênio de dar continuidade a qualificação de si mesmo.

Já o ensino técnico tem suma importância, pois se volta para o mercado de trabalho imediato, qualificando o profissional para a prática no manuseio de ferramentas que exigem maior complexidade, dentro de um período mais curto. Telecomunicações e radiologia são expoentes dessa etapa, que são indispensáveis para a engrenagem de uma sociedade mais produtiva e capacitada.

Do ensino superior, extraímos o debate que norteia os novos rumos que a evolução material e humana irá tomar. Fechando um ciclo onde a constante pesquisa e aprimoramento se fazem presentes, e que determinará o futuro desta e das etapas do conhecimento supracitadas.

É diante dessa interligação que devemos compreender a importância de uma nação mais prodigiosa em seus frutos. A saúde, a segurança, a geração de empregos e tudo o que move uma sociedade, passa por essa base, pois é daí que surge o planejamento do que nos rodeia. Sem estudar, o que quer que seja, teremos uma visão superficial que gerará resultados superficiais, e passaremos a vida inteira debatendo os efeitos, sem atentar que a causa é a nossa própria inércia.


Futuro (soneto)


É o destino do acaso
Construído em mutação.
A vida, encaminhando,
É desenho em construção...

É uma síntese do abstrato
Acontecimento humano,
Tracejo que vai errando
Num caminho quase exato.

Escrito no horizonte,
O eterno, por um instante,
é o agora já passado.

É o tudo que nos resta,
É o mundo que se apressa
Esperando ser talhado.



Transporte Público de qualidade, embarque na ideia!


Os engarrafamentos e a poluição permeiam as cidades de médio/grande porte em nosso país. Estimulado por uma ausência de política pública consistente, os transportes coletivos apenas servem de alternativa para os que estão impossibilitados de seguir por outro meio. Assim sendo, carros e motos superlotam as vias, causando poluição e atrasando a vida de todos, com problemas de saúde que afetam dos pulmões até o psicológico.

Em Campina Grande, a nossa querida Rainha da Borborema, o investimento no transporte integrado surtiu alguns efeitos positivos, no entanto, com o montante investido daria para tornar o transporte em massa bem mais eficiente. Aqui só existe um ponto de integração, ou seja, os passageiros devem se dirigir a um lugar da cidade – largo do Açude Novo -, se quiserem economizar e prezar pela segurança.

Onde está o equívoco e a má aplicação dos recursos públicos em nossa cidade? O grande problema foi no valor e no modelo da integração. A obra custou absurdos 6 milhões de reais e, ao contrário de outros modelos bem mais eficientes, centralizou o local da integração. Experiência bem mais sensata, e prática, foi aplicada aqui bem perto, em João Pessoa, onde a integração é feita através de um cartão que possibilita ao usuário pegar o coletivo em qualquer ponto de ônibus da cidade, poupando tempo e dinheiro, do povo e do erário público, já que um sistema assim não exige a exagerada quantidade em dinheiro vazada do patrimônio de todos.


É preciso repensar a forma de conduzir nossa política de transporte em massa. O Passe Livre, que busca dar gratuidade nos transportes coletivos, aos estudantes da rede pública de ensino, é uma ideia a ser discutida e posta em prática, pois ,além de tudo, possui viés sócio-educacional.

De todo modo, nem só de ônibus se resume o nosso transporte público.  Mototáxis, trens urbanos e a segurança da população se entrelaçam no sentido de proporcionar um sistema público de transporte realmente de qualidade.

Busquemos em lugares que lograram êxito, em seus transportes de massa, o rumo para produzir melhores resultados aqui. Em Toronto, no Canadá, a forma de pagamento, as placas de informações e a pontualidade são fortes estimulantes ao uso desse meio de locomoção.

E não vejo alto custo nisso, apenas é preciso otimizar o gasto, buscando custo-benefício real, ao invés de beleza arquitetônica. Uma central de informações seria de grande valia, monitorando, vinte e quatro horas do dia, as rotas dos transportes urbanos e transmitindo em painéis tais informações. Para isso basta boa vontade do agente público e uma mobilização da sociedade, no sentido de tomar partido nas decisões que lhe afetam o tempo inteiro.

É hora de pegar carona no bonde dos bons exemplos, refletindo e ponderando a forma de melhorar a nossa realidade. Transporte Público de qualidade, embarque nesse debate!

 
Saiba mais sobre o transporte público em Toronto, no Canadá:

 

SONETO DA EXISTÊNCIA


Em tudo, na existência,
É preciso ter cautela.
É nossa vida tão bela,
e feita pra paciência...

É provável que a ciência,
de tanto só estudar,
Se esqueça de “passear”
E conhecer a essência.

Tenho a certeza no peito,
Que pra manter o respeito
É preciso consciência,

Caráter e humildade,
Sorrir com sinceridade,
Relevando a aparência.

(IN)SEGURANÇA PÚBLICA

Segurança Pública é sem dúvidas um dos maiores gargalos do poder estatal na atualidade. O medo habita em cada residência e nos torna, cada dia mais, uma sociedade em eterno estado de alerta. PEC’s, PCCR’s e outras bandeiras de lutas são apontadas como soluções imediatas e de grande impacto, mas será que isso basta? Será que a insegurança se resume a insatisfação salarial?

A PEC 300, maior bandeira de luta dos policiais, certamente geraria maior estímulo e contribuiria muito para diminuir a corrupção e combater a criminalidade. No entanto, equipamentos e um serviço de inteligência mais eficaz, tornariam mais fáceis a vida da polícia e, na proporção inversa, complicaria a dos bandidos.

Importante lembrar também do efetivo que dispomos, pois não parece suficiente para, efetivamente, garantir um policiamento ostensivo e suprir a demanda crescente, tanto nos centros urbanos, como no meio rural. Viaturas e armamentos novos só são úteis quando tem alguém para manusear.


O serviço de inteligência, tão necessário, também deve passar pela integração com as comunidades. Pois não existe maior interessado numa sociedade mais segura do que as vítimas da insegurança. Colocar postos policiais nos bairros e aproximá-los dos moradores, nem que seja por telefone ou pela internet, proporciona ao Estado a capacidade de tornar mais ágil o combate ao crime.

No Ceará, existe a exitosa experiência do “Ronda Quarteirão”, onde as policias criam proximidade com as comunidades e agem numa parceria que tem diminuído os índices de violência naquele Estado.

Outro ponto, que acho interessante frisar, é a urgência de inverter o pânico gerado pelos constantes assaltos. Por exemplo, a polícia em áreas conhecidas como críticas poderia armar “arapucas” para atrair os bandidos contumazes. Mais ou menos assim: Coloquemos uma pessoa, com um celular de última geração, para andar por uma região conhecida pelos assaltos e aguardemos o “ataque”. Tomando essa medida algumas vezes na região, o pânico provavelmente inverteria o seu lado, e os assaltantes pensariam duas vezes antes de atacar um cidadão, suspeitando ser uma emboscada.

Claro que a sugestão dada anteriormente serve apenas para crimes mais simples, os mais complexos exigem táticas e operações avançadas, que passa pela estruturação do aparato policial.

A (in)segurança pública, além desse lado mais repressivo, deve ser pensada, principalmente, como parte de um todo, onde não se pode olvidar de mais investimentos na educação e na distribuição de renda.

Nos próximos artigos, exemplificaremos melhor o quanto todos os fatores estão interligados: segurança, saúde, e principalmente, distribuição de renda e investimentos sólidos na educação. Destacando que devem se envolver nesse problema de todos a União, os Estados e os Municípios.

A vida em sociedade é reflexo da complexidade do ser humano e o Estado deve buscar entender e suprir o que gera as consequências prejudiciais e benéficas, para a segurança de dias melhores.

Cine São José


Um corpo em busca da alma; é assim que podemos definir o prédio do antigo Cine São José. Patrimônio de Campina que tem sido esquecido durante décadas, numa cidade universitária que necessita de mais espaço para abrigar sua cultura.

Sem utilização nenhuma – só servindo de abrigo aos marginais – o antigo cine, localizado em espaço privilegiado no centro da cidade, aguarda apenas a iniciativa dos que, se não constroem, deveriam zelar pelo que ainda existe.

Uma bandeira de luta, sem dúvida, honrada e viável, que ganha alma ao ser empunhada por estudantes da nossa querida UEPB. É o grito que ecoa dos que produzem conhecimento e cultura, na busca de um espaço - como uma alma penada - para se solidificar.

A geração responsável pelo futuro quer mais chão para iniciar a sua caminhada, e o que falta apenas é vontade do poder público em atender e entender o seu valor.

Fica o registro de minhas palavras, que não cabem no silêncio de um espaço abandonado: é necessário plantar hoje o amanhã, e um espaço que já foi berço de grandes espetáculos não pode ser gravado no vazio.

A reabertura do Cine São José é Campina “fazendo o filme” da sua história revelada.


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A LUTA PELA CULTURA:

http://comcuca.blogspot.com/2010/05/em-luta-pelo-cine-sao-jose.html

Primeiros versos decassílabos

Alguns versos que escrevi juntamente com Alfrânio(velho Alfra), meu professor. Valeu, Alfra!
O mote está em negrito e é de autoria dos Nonatos.

A = Alfrânio
AN = Asfora Neto


A -Você pode investir noutros amores.
AN - Insegura, enganada e sem sucesso
A - e talvez nem espere o meu regresso,
AN - abalada por meros dissabores.
A - Ignore, portanto, as minhas dores,
A - a maneira que tenho de sofrer.
AN - Não adianta tentar, pois sem você,
A - nada pode conter o meu penar.
VOCÊ PODE PEDIR PRA EU ME AFASTAR,
SÓ NÃO PODE OBRIGAR-ME A LHE ESQUECER.


AN - Nosso fim foi um beco sem saída,
A - me perdi quando tudo terminou.
AN - Você jura que não, mas aprovou,
A - o momento da nossa decaída.
AN - Hoje mesmo te vejo envaidecida,
A - sem lamento e sem choro no perder.
AN - Foi andando nas ruas, sem você,
A - que eu sozinho aprendi a caminhar.
VOCÊ PODE PEDIR PRA EU ME AFASTAR,
SÓ NÃO PODE OBRIGAR-ME A LHE ESQUECER.


A - Você pode entender que estou sofrendo,
AN - sufocando o meu pobre coração,
A - mas você sabe bem qual a razão,
AN - do tormento que hoje estou vivendo.
A - Mas a gente na dor vai aprendendo,
AN - que não pode viver só por viver!
A - Muito embora não pare de sofrer,
AN - refletir, de chorar e lamentar.
VOCÊ PODE PEDIR PRA EU ME AFASTAR,
SÓ NÃO PODE OBRIGAR-ME A LHE ESQUECER.


AN - Relembrando os momentos de um dia,
A - com carinho eu recordo os nosso beijos
AN - no quartinho ou momentos de festejos,
A - que soubemos curtir com alegria.
AN - Hoje lembro, também sinto agonia
A - em ver isto no tempo se perder.
AN - Sei, faz falta pra mim e pra você,
A - não há nada pra se comemorar.
VOCÊ PODE PEDIR PRA EU ME AFASTAR,
SÓ NÃO PODE OBRIGAR-ME A LHE ESQUECER.



Sim, Alfra tem um blog: http://alfrapoemas.blogspot.com/
Acessem, vale a pena!

O leite e o livro



Brasília (DF), 11 de abril de 1986.


Deputado Flávio Marcílio (PDS/CE) - Presidente da Câmara Federal - com a palavra o deputado Raymundo Asfora - PMDB/PB:

"... E pensar era transgredir. E era o pescoço do oprimido contra a forca do opressor. E era o mando que se degenerava em desmando. E por aí foi o Brasileiro Golpe Militar que se batizou de Revolução de 31 de Março. Revolução, vírgula! De fato, uma Ditadura que se escreve como todas as demais..." Pegava pesado o orador.

" - Nobre deputado Asfora, vou oferecer, a Vossa Excelência, algo útil: um copo de leite".

 Em aparte, Aretuzo Lavajaro (PDS/ES - e filhote do Regime Autoritário acima) ironizou o parlamentar paraibano que abusava do álcool.

" - Em retribuição, ilustre deputado Lavajaro, brindarei Vossa Excelência com um livro".

No mesmo tom, o aparteado zombou do incontrolável horror do aparteante à biblioteca. 

Extraído do site: http://www.gentedeopiniao.com.br/ler_noticias.php?codigo=38740

Blog do Leo

Leonardo Pereira Rocha, futuro pastor e amigo da época do Colégio Alfredo Dantas, aderiu a Era Blog.
Para quem admira uma maneira diferente de enxergar as coisas, recomendo a leitura.

http://wwwleonardopr.blogspot.com/

Meia entrada

Num país onde a justiça tem conquistado respeito pela maior celeridade e isenção, é absurda a forma desleixada e desrespeitosa com que alguns empresários tratam o direito a meia entrada dos estudantes nos eventos promovidos, em especial na nossa Rainha da Borborema, sem que nenhuma medida corretiva seja adotada.

Essa prática já vem sendo usada há tanto tempo que passa despercebida por muitos. A própria UNE, a UBES e outras entidades representantes dos estudantes ficam caladas. Tomei conhecimento a mais de dois anos que existiam processos movidos pelos estudantes contra esse tipo de abuso, porém até hoje permaneço sem escutar o eco desse grito.

Será que a justiça por ser cega não compreende o que freqüentemente colocam no ingresso (“Estudante: R$XX,xx”)? Sendo o mesmo valor cobrado a todos de forma idêntica, estudante ou não. Tiremos essa venda dos olhos da justiça para que ela enxergue o que estão fazendo!

Por quanto tempo a sociedade e os órgãos de fiscalização responsáveis irão manter-se de braços cruzados? O rei está nu!

O preço de um ideal e a hipocrisia


É natural no contagiante calor da juventude aflorar a defesa de “ideais” de liberdade, justiça e solidariedade. Mas com o passar do tempo a maioria das pessoas se vêem amordaçadas por causas cada vez mais individuais e seletistas.

O dinheiro, num mundo que focaliza excepcionalmente os shoppings centers e suas ofertas, torna-se o objetivo de vida de muita gente. As causas sociais são defendidas de maneira a ostentar apenas o status e afagar (ou enganar?) a consciência que grita no vazio de seu próprio espaço.

Para “vender a alma” só basta o lance e muitos são arremessados até a vala onde multidões caminham para um abismo lamacento, com a intocável consciência de tarefa cumprida que só a ignorância traz. Determinado grau de satisfação vem acompanhado de altas doses de hipocrisia, tão encantadoras e convincentes que alguns chegam a se comover de sua boa conduta perante a “sociedade” numa auto-reflexão.

São raras as pessoas que no meio do caminho não param de escutar o clamor humanitário que esperneia diante de tanta injustiça. A sede de igualdade dos que ainda possuem alguma água e sentem a necessidade de distribuí-la para quem não tem, está cada vez mais escassa.

Passeio Socrático (Frei Beto)

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças.

"Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse.

O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.

A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais.

Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.

Marx já havia se dado conta do peso da geladeira.

Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós”.

O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.

Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.

Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígine cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém.

Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um vinho guardado na adega, uma jóia?
Assim como um objeto se associa ao seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife.

Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em Cinderela...

Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.

Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.

Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas.

Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.
Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo.

"Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói."

E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo.
"Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados.
Então explico:
Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo.
Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas.

E, assediado por vendedores como vocês, respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".