Futuro (soneto)


É o destino do acaso
Construído em mutação.
A vida, encaminhando,
É desenho em construção...

É uma síntese do abstrato
Acontecimento humano,
Tracejo que vai errando
Num caminho quase exato.

Escrito no horizonte,
O eterno, por um instante,
é o agora já passado.

É o tudo que nos resta,
É o mundo que se apressa
Esperando ser talhado.



Transporte Público de qualidade, embarque na ideia!


Os engarrafamentos e a poluição permeiam as cidades de médio/grande porte em nosso país. Estimulado por uma ausência de política pública consistente, os transportes coletivos apenas servem de alternativa para os que estão impossibilitados de seguir por outro meio. Assim sendo, carros e motos superlotam as vias, causando poluição e atrasando a vida de todos, com problemas de saúde que afetam dos pulmões até o psicológico.

Em Campina Grande, a nossa querida Rainha da Borborema, o investimento no transporte integrado surtiu alguns efeitos positivos, no entanto, com o montante investido daria para tornar o transporte em massa bem mais eficiente. Aqui só existe um ponto de integração, ou seja, os passageiros devem se dirigir a um lugar da cidade – largo do Açude Novo -, se quiserem economizar e prezar pela segurança.

Onde está o equívoco e a má aplicação dos recursos públicos em nossa cidade? O grande problema foi no valor e no modelo da integração. A obra custou absurdos 6 milhões de reais e, ao contrário de outros modelos bem mais eficientes, centralizou o local da integração. Experiência bem mais sensata, e prática, foi aplicada aqui bem perto, em João Pessoa, onde a integração é feita através de um cartão que possibilita ao usuário pegar o coletivo em qualquer ponto de ônibus da cidade, poupando tempo e dinheiro, do povo e do erário público, já que um sistema assim não exige a exagerada quantidade em dinheiro vazada do patrimônio de todos.


É preciso repensar a forma de conduzir nossa política de transporte em massa. O Passe Livre, que busca dar gratuidade nos transportes coletivos, aos estudantes da rede pública de ensino, é uma ideia a ser discutida e posta em prática, pois ,além de tudo, possui viés sócio-educacional.

De todo modo, nem só de ônibus se resume o nosso transporte público.  Mototáxis, trens urbanos e a segurança da população se entrelaçam no sentido de proporcionar um sistema público de transporte realmente de qualidade.

Busquemos em lugares que lograram êxito, em seus transportes de massa, o rumo para produzir melhores resultados aqui. Em Toronto, no Canadá, a forma de pagamento, as placas de informações e a pontualidade são fortes estimulantes ao uso desse meio de locomoção.

E não vejo alto custo nisso, apenas é preciso otimizar o gasto, buscando custo-benefício real, ao invés de beleza arquitetônica. Uma central de informações seria de grande valia, monitorando, vinte e quatro horas do dia, as rotas dos transportes urbanos e transmitindo em painéis tais informações. Para isso basta boa vontade do agente público e uma mobilização da sociedade, no sentido de tomar partido nas decisões que lhe afetam o tempo inteiro.

É hora de pegar carona no bonde dos bons exemplos, refletindo e ponderando a forma de melhorar a nossa realidade. Transporte Público de qualidade, embarque nesse debate!

 
Saiba mais sobre o transporte público em Toronto, no Canadá:

 

SONETO DA EXISTÊNCIA


Em tudo, na existência,
É preciso ter cautela.
É nossa vida tão bela,
e feita pra paciência...

É provável que a ciência,
de tanto só estudar,
Se esqueça de “passear”
E conhecer a essência.

Tenho a certeza no peito,
Que pra manter o respeito
É preciso consciência,

Caráter e humildade,
Sorrir com sinceridade,
Relevando a aparência.

(IN)SEGURANÇA PÚBLICA

Segurança Pública é sem dúvidas um dos maiores gargalos do poder estatal na atualidade. O medo habita em cada residência e nos torna, cada dia mais, uma sociedade em eterno estado de alerta. PEC’s, PCCR’s e outras bandeiras de lutas são apontadas como soluções imediatas e de grande impacto, mas será que isso basta? Será que a insegurança se resume a insatisfação salarial?

A PEC 300, maior bandeira de luta dos policiais, certamente geraria maior estímulo e contribuiria muito para diminuir a corrupção e combater a criminalidade. No entanto, equipamentos e um serviço de inteligência mais eficaz, tornariam mais fáceis a vida da polícia e, na proporção inversa, complicaria a dos bandidos.

Importante lembrar também do efetivo que dispomos, pois não parece suficiente para, efetivamente, garantir um policiamento ostensivo e suprir a demanda crescente, tanto nos centros urbanos, como no meio rural. Viaturas e armamentos novos só são úteis quando tem alguém para manusear.


O serviço de inteligência, tão necessário, também deve passar pela integração com as comunidades. Pois não existe maior interessado numa sociedade mais segura do que as vítimas da insegurança. Colocar postos policiais nos bairros e aproximá-los dos moradores, nem que seja por telefone ou pela internet, proporciona ao Estado a capacidade de tornar mais ágil o combate ao crime.

No Ceará, existe a exitosa experiência do “Ronda Quarteirão”, onde as policias criam proximidade com as comunidades e agem numa parceria que tem diminuído os índices de violência naquele Estado.

Outro ponto, que acho interessante frisar, é a urgência de inverter o pânico gerado pelos constantes assaltos. Por exemplo, a polícia em áreas conhecidas como críticas poderia armar “arapucas” para atrair os bandidos contumazes. Mais ou menos assim: Coloquemos uma pessoa, com um celular de última geração, para andar por uma região conhecida pelos assaltos e aguardemos o “ataque”. Tomando essa medida algumas vezes na região, o pânico provavelmente inverteria o seu lado, e os assaltantes pensariam duas vezes antes de atacar um cidadão, suspeitando ser uma emboscada.

Claro que a sugestão dada anteriormente serve apenas para crimes mais simples, os mais complexos exigem táticas e operações avançadas, que passa pela estruturação do aparato policial.

A (in)segurança pública, além desse lado mais repressivo, deve ser pensada, principalmente, como parte de um todo, onde não se pode olvidar de mais investimentos na educação e na distribuição de renda.

Nos próximos artigos, exemplificaremos melhor o quanto todos os fatores estão interligados: segurança, saúde, e principalmente, distribuição de renda e investimentos sólidos na educação. Destacando que devem se envolver nesse problema de todos a União, os Estados e os Municípios.

A vida em sociedade é reflexo da complexidade do ser humano e o Estado deve buscar entender e suprir o que gera as consequências prejudiciais e benéficas, para a segurança de dias melhores.